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Identidade de Género - Ideologia ou ciência?

Todos os alunos e professores estão a levar com políticas ideológicas de género que anulam proteções baseadas no sexo ao dar prioridade aos sentimentos em vez da biologia.

Identidade de Género - Ideologia ou ciência?

Todos os alunos e professores estão a levar com políticas ideológicas de género que anulam proteções baseadas no sexo ao dar prioridade aos sentimentos em vez da biologia.

Alterações à disciplina de cidadania: perguntas ao Sr. Ministro da Educação

Julho 24, 2025

Maria Helena Costa

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Publicado no Observador

Para evitar a tirania do desejo sexual, o qual, em nome da liberdade e da dignidade, destrói corações e famílias e dissemina a solidão, temos de assumir o compromisso de testemunhar a verdade sobre a natureza humana. (Ryan T. Anderson)

De acordo com o que tem vindo a ser noticiado nos últimos dias, na sua análise «à proposta do Governo e à estratégia em vigor», o Observador concluiu «que a atenção dada à sexualidade ou à orientação sexual deixa de existir e só é tratada no contexto de violações dos direitos humanos.» E que será «apenas no guião de aprendizagens essenciais para o terceiro ciclo e no capítulo dos direitos humanos é que os alunos serão chamados a “analisar casos históricos e atuais de violação dos direitos humanos (incluindo, entre outros, tráfico de seres humanos, abusos sexuais, violência de género, bem como violência contra pessoas com orientação sexual e identidade e expressão de género não normativas)”. E também só nessa fase, entre o 7.º e o 9.º ano, é que o programa prevê “debater a (des)igualdade de género em contextos como a educação, o trabalho e o exercício de cargos políticos”.»

Mas, tendo em conta que a ministra da Cultura, Juventude e Desporto continua a ser a Drª Margarida Balseiros Lopes, defensora do termo ideológico “pessoa que menstrua” em vez de “mulher” (que é o único sexo que menstrua) e uma professa simpatizante e apoiante do movimento político lgbtqia+, que a CIG (Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, autora/promotora da maior parte dos guias, guiões, manuais e referenciais de género e cidadania) continua a ter livre acesso às escolas e a  apoiar e «financiar projectos, medidas e acções das organizações da sociedade civil, associações e coletivos lgbtqia+» e que ainda não foi retirado o estatuto de utilidade pública a essas centenas de associações lgbtqia+ que têm acesso privilegiado às escolas, surgem-me várias questões que, creio, corresponderão às preocupações da maior parte das famílias:

  1. Como é que as famílias podem ficar descansadas, sabendo que há professores que são activistas lgbtqia+ e que não perderão a oportunidade de disseminar a sua ideologia, a sua cosmovisão, na cabecinha dos alunos?
  2. Muitas associações, que foram consideradas de “utilidade pública” durante a pandemia, e que sabem que há crianças extremamente sós e carentes de aceitação, enviam os seus militantes para as escolas. Ali, usufruindo de uma suposta superioridade académica sobre os alunos, os activistas usam todos os mecanismos de retórica para cooptar crianças, adolescentes e jovens vulneráveis, para as suas causas. Como é que o Ministério da Educação pensa proteger as crianças desses activistas?
  3. Essas associações vão deixar de ser financiadas com os nossos impostos e de ter acesso privilegiado às nossas crianças?
  4. Como é que se garantirá aos pais que associações como a AMPLOS não continuarão a entrar nas escolas, sob pretextos como “combate ao bulliyng”, e não apresentarão às crianças vídeos como “A família Biscoito”, que não apresenta nenhum biscoito heterossexual, mas apenas biscoitos trans, lésbicos, queer, etc. e alicia claramente as crianças a identificarem-se com uma das letras do abecedário colorido?
  5. Como é que o ME pretende proteger crianças, a partir dos 3 anos, de adultos que elaboraram o Manuel Kinder que fazem tanta questão de encher as suas cabecinhas com personagens lgbtqia+ e que lhes incutem que podem ter uma «identidade ou expressão de género que não corresponde ao sexo atribuído à nascença»? Este conceito ideológico: «sexo atribuído à nascença», como se o seu sexo lhes fosse imposto por pais e médicos opressores – que é a base da ideologia -, vai desaparecer dos conteúdos a leccionar?
  6. Os transgéneros/Drag Queens continuarão a ir às creches, infantários e escolas contar histórias aos alunos? Sim, isso acontece por cá. Aconteceu na Escola Básica e Secundária de Miranda do Douro e noutras ao redor, que receberam um grupo performativo constituído por pessoas trans que foram partilhar com crianças, a partir dos seis anos, como foi o seu processo de transição.
  7. Como é que o ME assegurará aos pais que não haverá activistas – pessoal docente e não docente – a disseminar algo como isto em sala de aula: «Podes sentir que és um rapaz, mesmo que tenhas partes do corpo que algumas pessoas te digam que são partes de «rapariga». Podes sentir que és uma rapariga mesmo que tenhas partes do corpo que algumas pessoas te digam que são partes de «rapaz». E podes não sentir que és um rapaz ou uma rapariga, mas que és um pouco de ambos ou nenhum dos dois. Independentemente de como te sentes, és perfeitamente normal!»?
  8. Isto não é semear “identidades de género” na mente de crianças que deviam estar a brincar, a aprender a ler e a escrever e não a pensar em sexo?
  9. O que é “violência de género”? É a violência doméstica com outro nome? É a violência cometida por homens e mulheres no contexto familiar ou no namoro? Ou o termo abraça os mais de 100 géneros inventados e todos os que se possam vir a inventar?
  10. Todo o tipo de violência deve ser combatido. Repito: TODO o tipo de violência deve ser combatido. A violência contra quem sente atracção sexual por pessoas do mesmo sexo deve ser erradicada e não elevada acima de todos os outros tipos de violência. Mas, misturar conceitos ideológicos como “identidade e expressão de género” é normalizar a ideologia. Esses termos vão ser erradicados nos três primeiros ciclos?
  11. Não sei se o Sr. Ministro sabe, mas o conceito de «identidade de género», como categoria de identidade, está muito além da «orientação sexual». Se alguém disser que é gay ou lésbica, não teremos muitas dúvidas quanto ao que essa pessoa quer dizer nem por qual dos dois sexos sente atracção sexual. E, independentemente daquilo que possamos pensar acerca do relacionamento sexual entre pessoas do mesmo sexo, não há dúvidas sobre aquilo que nos está a ser dito. Pelo contrário, quando alguém nos diz que tem uma «identidade de género» que não corresponde ao «género» que lhe foi «atribuído à nascença», não há como ter o mesmo entendimento sobre o que nos está a ser dito. Na verdade, a «identidade de género» é uma de trezentas categorias de género, que parte da premissa de que o género é, por definição, dissociado da realidade material do sexo biológico. Ou seja, não se trata de reconhecer os aspectos complicados da atracção sexual por pessoas do mesmo sexo, mas sim de uma reinterpretação fundamental do que significa ser humano. Ora, as crianças não devem ser confundidas quanto à sua própria identidade nem despertadas para questões sexuais – que até os adultos têm dificuldade em entender – em idades tão tenrinhas. Não compete à escola, nem a quem quer que seja, erotizar e sexualizar as crianças precocemente. Como é que o ME pretende garantir que conceitos como: “identidade de género”, “género [sexo] atribuído à nascença”, conceitos puramente ideológicos, não estarão presentes em sala de aula?
  12. Infelizmente, ler que os alunos, na fase complicadíssima da adolescência, serão chamados a analisar temas como a «violência contra pessoas com orientação sexual e identidade e expressão de género não normativas», leva-me a pensar que o ME já adoptou a ideologia de género e que está a prometer algo que não vai cumprir… Como é que pretende “libertar o ensino das amarras ideológicas” se continua a usar termos ideológicos? Como pretende proteger os adolescentes do efeito contágio, quando a Escola normaliza a ideologia ao usar a linguagem usada pelos ideólogos de género/wokistas?
  13. E os pais, Sr. Ministro? Terão direito a não permitir que os seus filhos assistam a conteúdos que violam os valores e os princípios que lhes ensinam em casa? Poderão decidir se os seus filhos participam, ou não, das aulas que tratam de temas relacionados com a sexualidade?
  14. Num dos cadernos PRESSE (que, espero, seja definitivamente posto no caixote do lixo), a mensagem passada aos alunos era: a virgindade é opressora; a promiscuidade sexual, a bissexualidade e a homossexualidade, essas sim, são expressões de prazer e de liberdade; a prostituição é uma profissão como outra qualquer e ter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo é «uma maneira de combater o tédio». E, nesse oásis de devassidão moral, o cristianismo era apontado como o «malvado» que acaba com a alegria e com o prazer de toda a gente. Ora, convenhamos, isto é destruir a educação que os pais cristãos dão aos seus filhos. Isso vai acabar? Os pais poderão tomar a decisão de não permitir que os seus filhos sejam expostos a conteúdos como esse?
  15. Direitos humanos? Como os mencionados na pág 24 do PRESSE, que mencionei acima? Que continha uma actividade de grupo que consistia em fazer com que as crianças fizessem «a roda dos direitos humanos e em conjunto expressassem o respeito pelos direitos de todas as pessoas serem livres e iguais em dignidade»? Quem é que não concordaria com tão nobres intenções? Só não havia necessidade de os alunos terem de se fazer passar por gays, lésbicas, trans, etc., até porque são demasiado novinhos para serem despertados para isso e para serem recrutados para o movimento lgbt+ (pág. 27)…  São esses os “direitos humanos” que vão ser incutidos aos alunos?
  16. Não é aos pais que compete educar os filhos e ensiná-los a respeitar os outros não por se identificarem com uma das letras do abecedário colorido, mas sim por serem SERES HUMANOS.
  17. Eu sei que está previsto que os pais tenham uma palavra a dizer relativamente aos conteúdos a abordar em cidadania. A pergunta é: todos os pais? Ou só aqueles que fazem parte das associações de pais, que, claramente e na maior parte, estão tomadas por activistas de esquerda e que até se dão ao luxo de expulsarem dos grupos de WhatsApp os pais que decidem proteger os seus filhos dos conteúdos que o ME diz que vai retirar das escolas?
  18. Qual é a garantia que os pais terão de que a ideologia de género não permanecerá nos conteúdos, disfarçada e embrulhada nas palavrinhas do costume: “direitos humanos”, “combate ao bullying”, “combate à violência no namoro”, “diversidade”, “inclusão”, etc.?
  19. E o Plano Nacional de Leitura? Vai continuar a promover livros lgbtqia+ e a incentivar os alunos a lerem histórias de rapazinhos que, afinal, se sentem meninas e vice-versa?
  20. As escolas vão continuar a poder fazer exposições pornográficas, como a que decorreu na Escola Poeta Al Berto, em Sines?
  21. Ou a exporem alunos de 9/11 anos a uma actividade que se encontra no COMPASS, Manual para a Educação para os Direitos Humanos com Jovens, na pág. 69, no programa “Dá um passo em frente”, que decorreu na Escola EB2 Aristides de Sousa Mendes, pertencente ao agrupamento de escolas da Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira, e que requeria que os alunos vestissem a pele de: uma mãe solteira em situação de desemprego; namorada de um jovem artista dependente de heroína; uma prostituta de meia-idade infectada com VIH/Sida; uma lésbica de 22 anos…?
  22. E, caso haja denuncias de que alguém não está a respeitar as directrizes do ME, como pretende resolver a questão?
  23. E os professores? Vão continuar a ser coagidos e obrigados a tratar os alunos, tenham a idade que tiverem, por nomes e pronomes correspondentes ao outro sexo e a esconderem isso dos pais?
  24. O que acontecerá caso alguns activistas usem os próprios filhos para fazer activismo na escola? Para tentarem obrigar os docentes, os funcionários da escola e os colegas a tratarem o João por Joana e a Maria por Mário? 
  25. E as formações em ideologia de género (não com esta designação, claro), continuarão a ser obrigatórias para os professores e para os trabalhadores da escola, como têm vindo a ser já no seu governo?
  26. E, para não dizer que só falei de ideologia de género/sexualidade, deixo uma pergunta relativamente à “literacia financeira”: quem vai dar essa matéria? Sob que perspectiva? Sob a perspectiva socialista/comunista ou capitalista? Vão apresentar as duas e deixar que os alunos formem a sua própria opinião, ou vão incutir-lhes a utopia de que “não terão nada e serão felizes”, como consta no preâmbulo da Agenda 20/30, subscrita e promovida pelo PSD & CIA?

As perguntas não param de surgir, mas o artigo vai longo e, hoje, ninguém tem vontade de ler muito. Por isso, termino com o desabafo de uma profissional de saúde:

Ainda não há muito tempo, os pais que eu atendia no meu consultório estavam preocupados com a cultura de engate, receavam que as suas filhas adolescentes pudessem engravidar ou ser infectadas com herpes. Esses eram os bons velhos tempos. Agora, os pais que atendo pedem-me Xanax para os seus ataques de pânico e insónias, pois as sua filhas querem deixar crescer a barba e remover os seios. Estou a informar-vos da linha da frente da guerra contra a ideologia de género.[1]


[1] Drª Miriam Grossman, Ideologia de género e a experiência médica nas nossas crianças, National Conservatism em Miami. Https://youtu.be/wlh8tvRLqck

Documento em Consulta: https://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Curriculo/Aprendizagens_Essenciais/cidadania_e_desenvolvimento.pdf

“Justiça social” é roubo institucionalizado

Julho 21, 2025

Maria Helena Costa

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No seu livro “Propaganda”, Edward Bernays defende o emprego da propaganda e a necessidade de uma «manipulação inteligente» das massas. Ele explica: «Aqueles que manipulam esse mecanismo invisível da sociedade fazem parte de um governo invisível, ou seja, quem realmente controla o nosso país».[1]

Há cerca de duas semanas fui convidada para falar sobre “Justiça Social e Inclusão: protegendo a família”.

Preparei-me, falei sobre o assunto, e decidi partilhar com os leitores do Observador o que penso sobre “justiça social”.

Começo por dizer que as esquerdas usam palavras fofinhas para embrulhar ideologias nefastas. Por isso, em primeiro lugar, é preciso perguntar:

- O que é que o termo “justiça social” significa para a esquerda e para a direitinha de que a esquerda gosta?
- Significa defender os pobres, cuidar dos doentes, dar voz aos marginalizados e lutar por igualdade de oportunidades para TODOS?

Se a resposta for sim, essas são responsabilidades de todos os cristãos. Biblicamente, justiça significa igualdade perante a lei. Na carta que escreveu numa prisão em Birmingham, Martin Luther King Jr. ofereceu-nos uma definição sucinta do que é uma lei justa:

Como se pode determinar que uma lei é justa ou injusta? Uma lei justa é um código produzido pelo ser humano que se ajusta à lei moral ou à lei de Deus. Uma lei injusta é um código que está em desacordo com a lei moral. Nos termos de S. Tomás de Aquino: Uma lei injusta é uma lei humana que não está radicada na lei eterna e na lei natural.

Contudo – e nesse ponto é preciso ter muito cuidado -, esta não é a compreensão de justiça/justiça social que existe nas nossas universidades ou na cultura popular.

Actualmente, a justiça foi separada da lei divina e, tal como acontece com a palavra igualdade, é utilizada para fazer cumprir diferentes agendas. Hoje temos políticos e activistas a clamar por:

  • Justiça ambiental (mais taxas e mais apagões);
  • Justiça de género (mais homens a esmurrar mulheres no boxe, por exemplo, e a humilhá-las nas competições femininas);
  • Justiça educativa (mais pessoas a aceder ao ensino por meio de quotas e não por mérito);
  • Justiça reprodutiva (mais bebés inocentes e indefesos a serem mortos no lugar onde deviam estar mais seguros e protegidos: no ventre materno);
  • Justiça económica (aumento da carga de impostos: tirar a quem trabalha e dar a quem não quer trabalhar);
  • Justiça imigratória (acabar com as fronteiras e permitir a invasão e consequente islamização da Europa);
  • Justiça habitacional (os okupas a tomarem de assalto as casas a quem as herdou ou comprou: fim da propriedade privada);
  • Justiça menstrual (sou mulher há 60 anos e ainda não percebi porque é que algo tão natural, que começou com a primeira mulher e que só as mulheres experimentam, pode ser usado para activismos políticos bacocos).

Resumindo, tudo aquilo que as esquerdas encostadas (e a direitinha que as esquerdas toleram), definem como “justiça” é tremendamente injusto e imoral.

Para mim, como cristã, “justiça social” começa com a premissa de que todas as pessoas são criadas à imagem e semelhança de Deus e reconhece que o Estado não é a Igreja, mas que tem uma vocação muito diferente, tendo sido DIVINAMENTE ordenado PRINCIPALMENTE para manter a ordem e restringir o mal.

A perspectiva cristã de “justiça social” entende que a maior parte da Sociedade não é o Estado e inclui uma ampla variedade de agentes importantes: família, igreja, outras religiões, empresas, filantropia e instituições de caridade, associações, movimentos cívicos e outros agrupamentos humanos que, em princípio, contribuem para a ordem e felicidade humanas.

A verdadeira “justiça social” procura proteger os mais vulneráveis: os nascituros, as crianças, os idosos, os deficientes, os doentes, os pobres, e também para salvaguardar as liberdades essenciais baseadas na dignidade humana e no carácter de Deus:

  • Liberdade de expressão;
  • Liberdade religiosa e de culto;
  • Objecção de consciência;
  • Protecção da propriedade privada.

Ser cristão, não é deixar-se ir ao sabor da corrente cultural. Ser cristão, é ter posições políticas claras e intransigentes:

  • O aborto é um assassinato. Um cristão coerente não pode votar em partidos que o apoiam e que o querem transformar num direito humano.
  • O casamento é a união entre um homem e uma mulher, para o estabelecimento da família, a criação dos filhos e como unidade essencial de toda a comunidade. Famílias fortes, saudáveis e funcionais darão origem a comunidades fortes, ricas e livres. Tudo o que vai contra este modelo, seja a poligamia, a homossexualidade, a transexualidade, etc., é frontalmente contrário aos valores cristãos.
  • O roubo é errado, quer seja praticado por uma pessoa que rouba o seu vizinho, quer seja através de políticas públicas, em que uma maioria parlamentar decide tirar o que pertence aos outros e chamar-lhe «justiça social». Ajudar os pobres, as viúvas, os órfãos, os imigrantes, os doentes e os idosos é bom e justo, mas não pode ser feito “à mão armada” e muito menos através de um sistema corrupto em que os políticos e os burocratas embolsam uma boa parte e com o que sobra parasitam as pessoas com serviços ineptos, incompetentes e cheios de interesses corporativos. A caridade é um empreendimento privado e quanto mais exigimos que o governo a faça, menos exigimos de nós próprios. A “justiça social” é o roubo institucionalizado.

Há outras questões sobre as quais os cristãos se definem, mas, por agora, estas são suficientes. Em suma, o aborto, a ideologia de género e o socialismo são incompatíveis com a fé cristã. O cristão que promove e vota a favor destas coisas não conhece a fé que professa e não está em Cristo, mas sim em Karl Marx.

 

[1] Erwin W. Lutzer, Não seremos calados, pág. 135

Direito de resposta ao Dr. João Costa

Julho 16, 2025

Maria Helena Costa

Publicado no Observador

No dia 8 de Julho, no Explicador , um Podcast do Observador,  o ex-ministro da educação, Dr. João Costa, começa por dizer que fica «contente por não haver desaparecimento de temas, porque se isso for verdade isso significa que não há cedência às posições radicais do CHEGA e de outros», mas «que já há sinais preocupantes devido ao facto de o governo ter decidido retirar de circulação um guia que era destinado aos adultos, para a prevenção de bullying, bullying homofóbico nas escolas, que foi um sinal muito preocupante de quem não estava muito preocupado com esse tema».

Questionado acerca de uma temática – a identidade de género – que tem suscitado polémica ao longo dos últimos anos e que, supostamente passará (ou não, digo eu) a ser leccionada de forma diferente, decidiu mencionar o meu nome e disse:

«Eu acho que é importante que as decisões que são tomadas sejam tidas tendo em conta o que é real e não as fantasias que várias pessoas têm colocado a correr, sobre o que se passa na escola. E quando falo destas fantasias, estou a falar de pessoas concretas, estou a falar de um movimento que existe, liderado, acho eu, por uma senhora que volta e mexe escreve para o Observador, uma Maria Helena qualquer-coisa, que inventa sistematicamente coisas escabrosas que acontecem nas escolas. […] O que nós temos tido nos guiões que regulam esta disciplina, porque há regulação …»

O jornalista interrompe-o e diz: «Apesar de o ministro ter falado em desregulação e que é preciso acabar com essa desregulação?»

Ao que o Dr. João Costa responde: «Pois, eu acho que isso são cedências a estas conversas tontas que vão aparecendo. É preciso ir ler os referenciais que foram sendo desenvolvidos que vêm, aliás, alguns deles, ainda do tempo do Pedro Passos Coelho. Nem todos foram criados no tempo da nossa governação. E o centro do trabalho sobre educação sexual, sobre igualdade de género, é sempre o respeito, a promoção do respeito, a promoção do conhecimento, o combate à violência, à violência de género, o combate à homofobia, portanto, é sempre numa perspectiva de direitos humanos […] As preocupações expressas pelos encarregados de educação radicam numas várias campanhas de desinformação e mentiras mesmo que foram postas a circular, quer por responsáveis políticos, como é o caso de Paulo Núncio, quer por estes movimentos inorgânicos de fundamentalistas e de fanáticos que divulgam informações absolutamente falsas sobre o que se passa na Escola. […] Eu sou um forte crente na autonomia das escolas, não só por uma questão de respeito para com o próprio profissionalismo dos professores, directores das escolas, quem toma decisões, […]».

Ora, perante tamanho chorrilho de mentiras, decidi exercer o meu direito de resposta:

  1. Que o guia “Direito a ser nas escolas” é um guia para os adultos, não para as crianças, já eu sabia. Também sei que foi ao abrigo desse guia, que conta com a assinatura do Dr. João Costa e da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, que uma professora da Escola António Arroio, numa reunião de pais, se referiu à filha de um casal usando um nome masculino. Os pais da menor foram apanhados de surpresa e ficaram chocados com o modus operandi da escola, que, claramente, os excluiu de algo que pode mudar tragicamente a vida da sua filha e deles, claro. Isto, infelizmente, tem-se repetido em várias escolas.
  2. Sr. ex-ministro da Educação, repetir ad nauseum que o guia Direito a Ser [lgbt+] nas escolas é apenas anti-bullying, amor, tolerância, unicórnios e arco-íris, é mentir infinitas vezes e uma mentira repetida muitas vezes não se torna verdade. Espero que o actual ministro perceba isso e retire da Escola uma ideologia que está a ser usada para confundir as crianças quanto à sua própria identidade. Foi à conta de argumentos pseudo-científicos, como os que usa, que se criou a maior crise identitária de que há memória junto de crianças e jovens. A teoria de que “as pessoas podem ser o que lhes apetece” – de que basta tomarem hormonas de sexo cruzado e fazerem cirurgias mutiladoras – não é real; é surreal. É diabólica.
  3. Ter em conta o que é real? Ó Sr. Ex-ministro (de má memória), por favor! Real? Ensinar às crianças, a partir dos 3 anos, que o “sexo é atribuído à nascença”, que o sexo é um espectro e que existem mais de dois sexos e múltiplos géneros é pura imaginação, é i-de-o-lo-gi-a. Isso não tem nada a ver com ensinar os alunos a terem empatia com os colegas que se identificam como trans (0,01% da população antes do efeito contágio alastrar). Isso é doutrinação e, para o perceber, basta ler o parágrafo incluído no site de Educação para a Cidadania que cita a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género: «A identidade de género refere-se à experiência interna e individual sentida por cada pessoa relativamente ao género com que se identifica, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído à nascença. Pode envolver, se livremente escolhido, a modificação da aparência ou do corpo por meios cirúrgicos, farmacológicos ou de outra natureza e outras expressões de género, incluindo o comportamento, o vestuário, a expressão verbal e corporal.»
  4. O Dr. João Costa imagina a confusão que se está a criar nas cabeças das meninas que preferem brincadeiras e desportos mais masculinos ou dos rapazes, mais sensíveis, que se identificam com interesses supostamente mais femininos? Ou essa confusão é desejada e aproveitada por quem promove a ideologia? O médico psiquiatra Dr. Pedro Afonso, que o senhor também deve rotular como “inventor de fantasias”, “fanático” e “fundamentalista”, escreveu: «Cada vez mais se lê em artigos (pseudo)científicos a designação de «sexo atríbuido à nascença», como se essa fosse uma qualificação subjectiva feita pelos pais ou pelo médico obstetra que intervém no parto. É absolutamente falso, o sexo é determinado na altura da fecundação (XX ou XY); portanto, é binário, sendo que a sua determinação irreversível ocorre ainda antes da formação dos órgãos sexuais masculino ou feminino. […] Quando a sociedade, pelo contrário, promove a autodeterminação de género e passa a mensagem errada de que «tu podes ser o que quiseres», isto tem um efeito, que nós designamos em psiquiatria, de «patofacilitante», tendo como consequência o aumento exponencial de casos de disforia de género.»[1]
  5. Aceitar a ideia de que o «género» não tem nada que ver com o sexo e com o próprio corpo, é negar a realidade física. Acreditar que podemos ter um «género» totalmente independente do sexo, dos nossos marcadores biológicos, é considerar que o nosso corpo não passa de um acessório que podemos mudar conforme os nossos humores. Como escreveu Jean-François Braunstein: «É por causa desta afirmação da independência relativamente ao corpo que se apresentam os estranhos problemas a que a teoria de género, quando levada ao extremo, conduz uma boa quantidade dos nossos contemporâneos. É preciso ver, evidentemente, que este mundo do «género», em que as pessoas se identificam independentemente da realidade corporal, é um mundo ilusório ou, antes, se quisermos ser menos negativos, um mundo imaginário.»[2]
  6. Ó dr. João Costa, eu invento «sistematicamente coisas escabrosas que acontecem nas escolas»? Antes inventasse… Do mal o menos, pois ainda que eu estivesse louca, as crianças estariam seguras. Infelizmente, os relatos dos pais, de vários professores e de muitos alunos continuam a chegar ao e-mail da Associação Família Conservadora, ao meu telemóvel e a serem-me transmitidos nas conferências e nas palestras que tenho feito por todo o país. Isso, e o aumento de menores – confusos quanto à sua identidade sexual – que enchem os consultórios de psicólogos e de psiquiatras e que estão a mudar de nome e de sexo no cartão de cidadão (11 por semana), de jovens que estão a encher-se de hormonas de sexo cruzado e a amputar órgãos saudáveis do seu corpo e que poderão vir a arrepender-se amargamente e até a suicidar-se… Nada disso, infelizmente, é invenção minha (até porque só se estragava uma casa), mas sim consequência das políticas identitárias que o senhor e os seus acólitos têm vindo a impor à Escola e às famílias.
  7. «É preciso ir ler os referenciais»? Ó sr. ex-ministro, eu não faço outra coisa há quase 11 anos. Já li e reli, entre outros, os Guiões de Género e Cidadania,  o Referencial de Educação para a Saúde, o PRESSE (que acaba de ser retirado da internet, mas que guardo religiosamente), o Manual Kinder e, claro, o Direito a Ser nas Escolas, que ordenam aos professores que ensinem às crianças, a partir dos 3 anos, tudo sobre pessoas que «nasceram no corpo errado», que têm mais do que um género [preferências sexuais] ou nenhum género [não sentem atração sexual por ninguém]; que instruem para que se ensine às  crianças do primeiro ano (6 anos) que podem escolher os seus próprios nomes, caso se identifiquem com o outro sexo, e pronomes, incluindo elu, eles/They (em inglês é mais cool),  e que lhes digam que, caso sejam do género fluído, podem mudar de pronome sempre que quiserem, pois todos os seus «sentimentos» serão respeitados e «ai de quem não o faça». Os alunos também são encorajados a ultrapassar o preconceito de que o sexo é binário e, a cereja no topo do bolo: os pais não precisam de saber de nada, se o aluno entender que é melhor assim.
  8. O senhor é o quê? «Um forte crente na autonomia das escolas»? Não me faça rir! O ex-ministro da educação, que entrou num braço de ferro com a família Mesquita Guimarães – o Estado contra uma família –, que no dia 15 de Junho de 2020, assinou um despacho no qual, retroactivamente, anulou a decisão do Conselho de Turma do ano lectivo de 2018/19 onde foi definida a transição dos dois alunos? Anulação essa, que juntamente com a decisão de os reter no ano 2019/20, implicava a repetição de dois anos escolares? Que, de acordo com o despacho que assinou e que negou ter assinado, ordenava que o Tiago, que deveria começar o 7º ano em Setembro, voltasse para o 5º, e que o Rafael, que deveria passar para o 9º ano, regredisse para o 7º? O senhor tem a lata de dizer, sem se rir à gargalhada, que crê na autonomia das escolas? Depois de ameaçar os professores que haviam passado aqueles alunos? O senhor, que não largou aquela família até o Ministério Público decidir arquivar o processo? Que belo exemplo de cidadania.
  9. Não, senhor João Costa, «as preocupações expressas pelos encarregados de educação» não «radicam numas várias campanhas de desinformação e mentiras mesmo que foram postas a circular, quer por responsáveis políticos, como é o caso de Paulo Núncio, quer por estes movimentos inorgânicos de fundamentalistas e de fanáticos que divulgam informações absolutamente falsas sobre o que se passa na Escola». As preocupações expressas pelos pais radicam no que os seus filhos vivem na Escola. Por muito que o senhor minta, negando os factos, os pais sabem que os seus filhos não lhes mentem e que estão a ser acossados por ideologias perigosas. É verdade que o número de pais que está a contra-atacar tem vindo a aumentar e isso deve-se à sua profunda preocupação com o facto de os seus filhos estarem a ser prematuramente sexualizados e, consequentemente, confundidos quanto à sua identidade. Isso torna-se patente sempre que apresentam o PIN PARENTAL ou outro documento no qual fazem valer os seus direitos e rejeitam que os seus filhos sejam doutrinados com ideologia de género, leccionada por alguns professores, mas também por activistas de Associações lgbt+, radicalizados, às quais o senhor concedeu o estatuto de utilidade pública e que, por isso, têm livre acesso às escolas e aos alunos. 
  10. Longe vai o tempo em que vivíamos num mundo normal e podíamos deixar os nossos filhos na Escola com a certeza de que tudo o que aprenderiam seria factual e científico. Mas depois, como alguém escreveu: «[…] os transactivistas (os que lucram directa ou indirectamente com a ideologia de género) e o seu séquito de chalupas de género (gente tonta, até bem-intencionada, que reproduz o mantra da “inclusão” sem saber realmente o que está em causa) tomaram de assalto as escolas (e o mundo) e o sossego acabou. Sob a capa da “inclusão”, “empatia” e “diversidade” e usando a flexível disciplina de Cidadania e a transversalidade das questões do género, produziram-se conteúdos, multiplicaram-se “palestras”, fizeram-se “exposições”, de teor duvidoso e até perigoso, mas sempre com o resguardo das mesmas virem de fonte idónea – as escolas. Pois, mas não é assim.»

Recentemente, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos contra 3, a favor dos pais que exigem o direito de retirar os filhos de aulas onde são utilizados livros com conteúdos LGBTQIA+. O tribunal considerou que forçar essas crianças a assistir a tais aulas viola a liberdade religiosa garantida pela Primeira Emenda e interfere no desenvolvimento religioso das crianças.

E por cá? Até quando permitiremos que os nossos filhos e netos continuem a ser assediados em sala de aula? A quem interessa, ensinar a crianças pequenas que o seu sexo é maleável e que podem escolher a forma de fazer sexo que mais prazer lhes dá?

É hora dos pais! É hora dos avós! É hora de exigirmos aos políticos que elegemos que parem de mentir e que deixem as crianças em paz.


[1] Prefácio do livro “Identidade de género – Ideologia ou ciência”, de Maria Helena Costa, pág. 9.
[2] Jean-François Braunstein, A Religião Woke, GUERRA E PAZ, EDITORES, LDA., pág. 83.

Um bando de pervertidos

Julho 04, 2025

Maria Helena Costa

La oss slutte å seksualisere pride – Ytring

A verdade conservadora central é a de que é a cultura, e não a política, que determina o sucesso de uma sociedade.[1]

De há uns anos esta parte, as sucessivas maiorias eleitas têm vindo a legislar no sentido de nos afastar dos trilhos morais e emocionais. Contenção, pudor, responsabilidade e reverência têm vindo a ser atirados para caixote do lixo ano após ano, legislatura após legislatura.

A escola estatal, que muitos teimam em chamar “pública”, abandonou as orações, o civismo e a moral sexual em favor da instrução de como colocar o preservativo, dos ataques à nossa História e das celebrações do orgulho lgbtqiapn+. Hoje, o “deixa a vida me levar” deu lugar ao “faça o que quiser” e “ultrapasse todos os limites”. Os valores morais tradicionais, que sempre foram considerados fundamentais para a nossa sobrevivência, foram substituídos pelo relativismo que dá prazer, porque o sexo inconsequente é mais fácil e o autocontrole requer auto-sacrifício.

Quando revejo as imagens daquele espectáculo degradante, pornográfico, lgbtqiapn+ , que decorreu na Fundação de Serralves e que foi classificado para maiores de 6 anos, percebo que a pornografia se tornou um facto social que está a educar sexualmente uma geração de crianças, adolescentes e jovens, e a estabelecer as suas expectativas quanto ao sexo e ao casamento.

Um exemplo perfeito do conluio político, mediático e académico, sobre o assunto, é a consagração dos dias lgbtqiapn+ no calendário e a atribuição de um mês inteiro – Junho – à celebração do orgulho gay+. Assim, em Portugal, Junho deixou de ser o mês dos Santos Populares e passou a ser o mês do Orgulho lgbtqiapn+. Em vez de marchas populares, manjericos, balões de ar e alhos porros, deparamo-nos com bandeiras lgbtqiapn+ nas escolas, na televisão, nos outdoors, nos autocarros, nos McDonalds, nos postos de abastecimento, nos sacos de compras, nas passadeiras para peões, resumindo: em tudo o que os nossos olhos vêem. Durante um mês inteiro (fora os outros dias do calendário) o dinheiro dos nossos impostos, que financia o activismo do arco-íris, é usado para nos esfregar na cara as inclinações sexuais dos súbditos da bandeira “omnipresente” e para atrair os mais novinhos para o mundo colorido dos unicórnios, das bolachas de gengibre e das cores de um arco-íris do sexo, em que cada cor corresponde a uma prática sexual não heterossexual.

E, por favor, não me venha com a ladainha de que todo este activismo político, porque é de política que se trata, tem como objectivo “a luta por direitos iguais”, pois há muito, muito tempo, que a Marcha do Orgulho lgbtqiapn+ deixou de ser sobre direitos iguais para gays e lésbicas e foi sequestrada por tarados sexuais que a transformaram num espectáculo grotesco de exibições pornográficas ao ar livre. Os slogans que gritam são obscenos e agressivos, brinquedos sexuais e cartazes com frases ameaçadoras - contra todos os que não se ajoelham à ideologia de género - são exibidos, há homens a desfilar com trajes de bondage, com as nádegas nuas e os genitais à mostra (tal e qual como se viu em Serralves no tal espectáculo lgbtqiapn+ para maiores de 6 anos), e há quem afirme que no meio de multidão há traficantes de droga a vender metanfetaminas e a droga do estupro GHB que é usada em orgias conhecidas como "festas de chemsex".

Julie Bindel, autora, jornalista e radialista feminista, que explora a questão da misoginia, escreveu:

«Tenho medo pelos adolescentes vulneráveis ​​que, questionando ou explorando a sua sexualidade pela primeira vez, vão a uma Marcha do Orgulho Gay na esperança de conhecer jovens com a mesma mentalidade. As marchas agora são campos de caça para homens predadores, que podem chamar "homofobia" a qualquer tentativa de controlar o seu comportamento. Se eu pudesse proibir a Marcha do Orgulho, eu fá-lo-ia para proteger os jovens — especialmente as mulheres, mas também os adolescentes que correm grande risco de serem abusados ​​sexualmente e explorados por homens muito mais velhos. Mulheres como eu estão cansadas de ser colocadas no mesmo nível de pessoas que se identificam como trans, de kinksters, de pessoas que se autodenominam simplesmente "assexuais", "não binárias", "sapiossexuais" ou "arromânticas" — pessoas que nunca enfrentarão opressão ou discriminação por causa da sua sexualidade. O movimento do Orgulho é redundante. Felizmente, não estou sozinha e, este ano, pela primeira vez, parece que a agitação se tornou tão desagradável que muitos antigos torcedores, incluindo patrocinadores, estão a distanciar-se dela.
Em Plymouth, o site do Pride anuncia que os seus eventos foram cancelados: "A falta de financiamento nacional e local, juntamente com o declínio do apoio voluntário, tornou impossível a realização."
Lincoln, Southampton e Hereford enfrentam problemas semelhantes. Empresas que antes ansiavam por se associar à Marcha do Orgulho agora estão igualmente ansiosas para se dissociar.
Talvez o mais significativo seja que, em Whitehall, os funcionários públicos tenham sido instruídos a não desperdiçar dinheiro público em cordões de arco-íris.»

Julie, acredita que os que antes patrocinavam a Marcha do Orgulho lgbtqiapn+ deixaram de o fazer «em parte, por causa da decisão unânime da Suprema Corte do Reino Unido que estabeleceu que "mulheres trans" não são mulheres de verdade».

No Reino Unido, depois de anos de ameaças, abusos e até violência contra qualquer pessoa que tentasse verbalizar o senso comum mais básico sobre as diferenças sexuais entre homens e mulheres, a Suprema Corte Britânica declarou o óbvio: mulheres trans são homens.

Reposta a verdade, as empresas e as autoridades locais já não precisam de ter medo de serem rotuladas de intolerantes, perseguidas e canceladas nem de fingir que acreditam no impossível.

Também os Estados Unidos, celeiro de todo este caldo ideológico, atingiram o movimento do Orgulho com cortes drásticos no Orçamento para a ajuda internacional, conforme ordenado pelo presidente Donald Trump. Esses cortes já custaram à Stonewall, a bandeira do Orgulho, cerca de meio milhão de libras.

Por cá, infelizmente, os políticos & CIA continuam a fazer orelhas moucas ao que se passa nos países de onde importaram a ideologia de género e a Ordem dos Psicólogos, em resposta à Nota de Repúdio à utilização do termo “pessoas que menstruam” nos documentos da Ordem dos Psicólogos Portugueses publicados no Dia Internacional da Dignidade Menstrual enviada por muitas pessoas, associações e movimentos, afirma: 

«Sendo certo que a maioria das pessoas que menstrua é menina ou mulher, a menstruação é uma função biológica não exclusiva das meninas e mulheres. A nossa opção não nega a biologia, antes é descritiva desse facto: nem todas as mulheres menstruam (por exemplo, quando usam contraceção hormonal, estão na menopausa ou têm determinada condição de Saúde) e nem todas as pessoas que menstruam são mulheres (como é o caso de pessoas transexuais, intersexo ou não binárias). Por isso, a expressão “pessoas que menstruam” tem sido adotada por diversas organizações internacionais (como a OMS, a UNICEF ou a American Psychological Association) e usada na literatura científica, já que reflete o universo de pessoas com atividade ovárica que experienciam o ciclo menstrual. Não se trata, portanto, de uma orientação ideológica, mas da descrição de uma realidade empírica. A linguagem científica deve, necessariamente, refletir essa realidade, de forma precisa.»

Ou seja, a Ordem dos Psicólogos, que escreveu uma salvaguarda na qual ameaça agir contra quem torne público o conteúdo do e-mail, chuta para canto o facto de que a expressão "Pessoas que menstruam" tem sido usada e contestada em todo o mundo pelo seu carácter ideológico, razão pela qual tem existido um maior rigor por parte da OMS, UNICEF e outros organismos internacionais em usar a expressão inclusiva que é "mulheres e pessoas que menstruam", e insiste em promover a ideologia em detrimento da ciência. Mas, esperar o quê de uma instituição que manipula informação e transmite conceitos enviesados? Que permite que os seus “ordenados” se identifiquem como “lgbtqiapn+, mas nunca como cristãos?

Nota: eu não defendo a linguagem “mulheres e pessoas que menstruam”, pois pessoas que menstruam são mulheres e qualquer cedência na linguagem é uma vitória para a ideologia e não tem nada que ver com rigor nem com inclusão.

Mas, voltemos a Julie Bindel e ao seu alerta para algo ainda mais perverso:

«… alguns dos danos mais significativos [ao movimento lgb] foram causados ​​pela invasão constante de abusadores de crianças — ou "pessoas atraídas por menores" [MAPs], como eles se renomearam. Homens que abusam de crianças, sob o disfarce da campanha pelos direitos gays, têm sido um problema desde o início. Eles foram expulsos várias vezes, mas sempre voltam rastejando. Em Março deste ano [2025], Stephen Ireland, cofundador da Pride em Surrey, de 41 anos, foi condenado por estuprar um menino de 12 anos. A agressão ocorreu num apartamento que Ireland dividia com outro homem, David Sutton, de 27 anos, voluntário da Pride. Sutton foi considerado culpado de posse de imagem extremamente pornográfica, e ambos os homens tinham fotos indecentes de crianças. […] predadores como esses tratam o Orgulho como uma oportunidade para exibir as suas próximas vítimas. Alguns deles escondem-se à margem. Outros, emocionam-se chocando pessoas decentes, tanto gays quanto heterossexuais: eles safaram-se de tanta coisa nos últimos 20 anos que se sentem capazes de continuar a insistir, em nome de "serem ultrajantes". […] A “luta por direitos” nunca será vencida por homens que se exibem com chicotes e vibradores coloridos.»

Urge proteger as crianças!

Quando denunciei o que se passou na Fundação Serralves, houve algumas pessoas (graças a Deus, poucas) a defender que o espectáculo lgbtqiapn+, com adultos a exibirem as mamas e os genitais para maiores de 6 anos e a cantarem letras absolutamente pornográficas, decorreu a partir da 1:30h da madrugada e que, portanto, não haveria crianças a assistir. Mas, o horário é o que menos importa para o caso. O que devia deixar-nos com os cabelos em pé e fazer-nos enviar uma enxurrada de e-mails para a Fundação, a repudiar a classificação etária atribuída a um espectáculo pornográfico, é o facto de haver quem promova a ideia de que adultos podem exibir os seus genitais diante de crianças pequenas e que não há mal nenhum nisso e de que as crianças podem ser levadas e expostas a espectáculos desses.

Não é por acaso que já há crianças de 11 anos dependentes de pornografia e que o número não pára de aumentar. Não é por acaso que há cada vez mais jovens ansiosos e deprimidos .

Estar deprimido é, do meu ponto de vista e do ponto de vista de vários profissionais de saúde mental, a resposta mais racional à cultura decadente que nos rodeia, a uma cultura impregnada de descrença radical, erotização/sexualização precoce e uma imersão cada vez maior nas redes sociais. Portanto, não devemos surpreender-nos com o aumento da depressão na juventude. Como C. S. Lewis escreveu: «Fazemos homens fracos e esperamos deles virtudes e iniciativa. Fazemos chacota da honra e chocamo-nos ao encontrar traidores no nosso meio. Castramos e ordenamos que os castrados sejam férteis.»

Atirámos a moral e os bons costumes para o lixo, em nome da “libertação”, e descobrimos que essa libertação condenou os mais novos a vidas sem raízes e cheias de desespero. A Bíblia diz: «Nem só de pão viverá o homem.» (Lucas 4:4), o que significa dizer que o materialismo – manifestado na forma de luxúria ou cobiça – irá matar uma sociedade, caso se torne a maior aspiração desta. É onde estamos hoje. Estamos a viver no meio de uma engenharia social que quer mergulhar a civilização na luxúria para ver se ela pode sobreviver-lhe.  

No fim, sei que apenas a fé em Jesus Cristo pode transformar uma cultura corrupta e decadente como aquela em que vivemos. Pode levar décadas ou até séculos, como aconteceu no tempo do cristianismo primitivo, mas pode ser feito. A pornografia era comum entre os povos pagãos do Antigo Testamento e na Roma Antiga. Apenas uma sociedade que respeita a indissolubilidade do casamento, a igualdade das mulheres (em dignidade e valor) e o bem de ter filhos pode ter uma relação adequada em relação ao corpo e ao sexo.

Mas, cristãos ou não, todos os que se importam com a restauração da decência à nossa cultura devem fazer o que puderem para influenciar positivamente a sociedade, formando as suas crianças nos valores em que acreditam, defendendo esses valores no espaço público e promovendo-os através dos governantes que elegeram. 

 

 

[1] Daniel Patrick Moynihan

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