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Identidade de Género - Ideologia ou ciência?

Todos os alunos e professores estão a levar com políticas ideológicas de género que anulam proteções baseadas no sexo ao dar prioridade aos sentimentos em vez da biologia.

Identidade de Género - Ideologia ou ciência?

Todos os alunos e professores estão a levar com políticas ideológicas de género que anulam proteções baseadas no sexo ao dar prioridade aos sentimentos em vez da biologia.

“Justiça social” é roubo institucionalizado

Julho 21, 2025

Maria Helena Costa

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No seu livro “Propaganda”, Edward Bernays defende o emprego da propaganda e a necessidade de uma «manipulação inteligente» das massas. Ele explica: «Aqueles que manipulam esse mecanismo invisível da sociedade fazem parte de um governo invisível, ou seja, quem realmente controla o nosso país».[1]

Há cerca de duas semanas fui convidada para falar sobre “Justiça Social e Inclusão: protegendo a família”.

Preparei-me, falei sobre o assunto, e decidi partilhar com os leitores do Observador o que penso sobre “justiça social”.

Começo por dizer que as esquerdas usam palavras fofinhas para embrulhar ideologias nefastas. Por isso, em primeiro lugar, é preciso perguntar:

- O que é que o termo “justiça social” significa para a esquerda e para a direitinha de que a esquerda gosta?
- Significa defender os pobres, cuidar dos doentes, dar voz aos marginalizados e lutar por igualdade de oportunidades para TODOS?

Se a resposta for sim, essas são responsabilidades de todos os cristãos. Biblicamente, justiça significa igualdade perante a lei. Na carta que escreveu numa prisão em Birmingham, Martin Luther King Jr. ofereceu-nos uma definição sucinta do que é uma lei justa:

Como se pode determinar que uma lei é justa ou injusta? Uma lei justa é um código produzido pelo ser humano que se ajusta à lei moral ou à lei de Deus. Uma lei injusta é um código que está em desacordo com a lei moral. Nos termos de S. Tomás de Aquino: Uma lei injusta é uma lei humana que não está radicada na lei eterna e na lei natural.

Contudo – e nesse ponto é preciso ter muito cuidado -, esta não é a compreensão de justiça/justiça social que existe nas nossas universidades ou na cultura popular.

Actualmente, a justiça foi separada da lei divina e, tal como acontece com a palavra igualdade, é utilizada para fazer cumprir diferentes agendas. Hoje temos políticos e activistas a clamar por:

  • Justiça ambiental (mais taxas e mais apagões);
  • Justiça de género (mais homens a esmurrar mulheres no boxe, por exemplo, e a humilhá-las nas competições femininas);
  • Justiça educativa (mais pessoas a aceder ao ensino por meio de quotas e não por mérito);
  • Justiça reprodutiva (mais bebés inocentes e indefesos a serem mortos no lugar onde deviam estar mais seguros e protegidos: no ventre materno);
  • Justiça económica (aumento da carga de impostos: tirar a quem trabalha e dar a quem não quer trabalhar);
  • Justiça imigratória (acabar com as fronteiras e permitir a invasão e consequente islamização da Europa);
  • Justiça habitacional (os okupas a tomarem de assalto as casas a quem as herdou ou comprou: fim da propriedade privada);
  • Justiça menstrual (sou mulher há 60 anos e ainda não percebi porque é que algo tão natural, que começou com a primeira mulher e que só as mulheres experimentam, pode ser usado para activismos políticos bacocos).

Resumindo, tudo aquilo que as esquerdas encostadas (e a direitinha que as esquerdas toleram), definem como “justiça” é tremendamente injusto e imoral.

Para mim, como cristã, “justiça social” começa com a premissa de que todas as pessoas são criadas à imagem e semelhança de Deus e reconhece que o Estado não é a Igreja, mas que tem uma vocação muito diferente, tendo sido DIVINAMENTE ordenado PRINCIPALMENTE para manter a ordem e restringir o mal.

A perspectiva cristã de “justiça social” entende que a maior parte da Sociedade não é o Estado e inclui uma ampla variedade de agentes importantes: família, igreja, outras religiões, empresas, filantropia e instituições de caridade, associações, movimentos cívicos e outros agrupamentos humanos que, em princípio, contribuem para a ordem e felicidade humanas.

A verdadeira “justiça social” procura proteger os mais vulneráveis: os nascituros, as crianças, os idosos, os deficientes, os doentes, os pobres, e também para salvaguardar as liberdades essenciais baseadas na dignidade humana e no carácter de Deus:

  • Liberdade de expressão;
  • Liberdade religiosa e de culto;
  • Objecção de consciência;
  • Protecção da propriedade privada.

Ser cristão, não é deixar-se ir ao sabor da corrente cultural. Ser cristão, é ter posições políticas claras e intransigentes:

  • O aborto é um assassinato. Um cristão coerente não pode votar em partidos que o apoiam e que o querem transformar num direito humano.
  • O casamento é a união entre um homem e uma mulher, para o estabelecimento da família, a criação dos filhos e como unidade essencial de toda a comunidade. Famílias fortes, saudáveis e funcionais darão origem a comunidades fortes, ricas e livres. Tudo o que vai contra este modelo, seja a poligamia, a homossexualidade, a transexualidade, etc., é frontalmente contrário aos valores cristãos.
  • O roubo é errado, quer seja praticado por uma pessoa que rouba o seu vizinho, quer seja através de políticas públicas, em que uma maioria parlamentar decide tirar o que pertence aos outros e chamar-lhe «justiça social». Ajudar os pobres, as viúvas, os órfãos, os imigrantes, os doentes e os idosos é bom e justo, mas não pode ser feito “à mão armada” e muito menos através de um sistema corrupto em que os políticos e os burocratas embolsam uma boa parte e com o que sobra parasitam as pessoas com serviços ineptos, incompetentes e cheios de interesses corporativos. A caridade é um empreendimento privado e quanto mais exigimos que o governo a faça, menos exigimos de nós próprios. A “justiça social” é o roubo institucionalizado.

Há outras questões sobre as quais os cristãos se definem, mas, por agora, estas são suficientes. Em suma, o aborto, a ideologia de género e o socialismo são incompatíveis com a fé cristã. O cristão que promove e vota a favor destas coisas não conhece a fé que professa e não está em Cristo, mas sim em Karl Marx.

 

[1] Erwin W. Lutzer, Não seremos calados, pág. 135

O MITO DA NEUTRALIDADE NA EDUCAÇÃO

Junho 11, 2025

Maria Helena Costa

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Artigo publicado no Observador 

«Vou destronar Deus e o capitalismo. [...] Para o advento do socialismo será preciso exterminar povos e nações.»[1]

Após o 25 de Abril, os sucessivos governos, mais ou menos socialistas, arrogaram para si mesmos o direito de educar os filhos dos cidadãos e, em nome de uma suposta laicidade, expulsaram o Deus dos cristãos da Escola estatal e substituíram a religião cristã pela religião ateísta/marxista.

Claro que nada disso seria possível sem a máquina de propaganda socialista que convenceu até os que se dizem cristãos de que a educação escolar pode ser neutra. Essa mentira - criada no inferno e adorada pela cultura moderna - tem levado muitos pais cristãos a optar pela omissão - para não serem considerados retrógrados, fanáticos religiosos, qualquer-coisa-fóbicos, etc. - e a entregarem os seus filhos a catequizadores fiéis ao mesmo império que crucificou nosso Senhor Jesus Cristo e, claro, odeia o cristianismo.

Os progressistas fazem questão de esclarecer que a educação é sobre factos, não sobre fé; que as escolas ensinam a ler, a escrever e a contar, não moralidade, identidade ou adoração; mas creio que muitos de nós já perceberam que isso é um mito. É uma espada travestida de diploma, que visa matar o futuro da igreja, uma criança de cada vez.

NÃO HÁ NEUTRALIDADE

A educação nunca é neutra. Cada sala de aula tem uma liturgia. Todos os manuais escolares fazem afirmações que os seus autores consideram verdadeiras. Todos os professores, conscientes ou não, estão a formar almas à imagem de um senhor.

Como Jesus disse: «Quem não está comigo está contra mim» (Mateus 12:30). Estas palavras deveriam ser suficientes para demolir a ilusão de uma suposta neutralidade espiritual. Não existe uma Suíça espiritual - apenas um terreno disputado cujo campo de batalha é a mente dos nossos filhos.

Até as disciplinas que consideramos “seguras” - matemática, ciências, gramática - estão repletas de suposições sobre ordem, propósito, verdade e significado. Numa sala de aula onde Cristo não é honrado como Senhor essas matérias são subtilmente reformuladas, para servir o deus de quem as leciona, e até a matemática passou a ser racista! Os absolutos permanecem, mas são esvaziados, despojados de transcendência e armados para a rebelião.

Cada sala de aula é uma catedral da verdade ou um templo da mentira. Cada lição é um sermão. Cada escola é um santuário – para Cristo ou para César.

A EDUCAÇÃO ESTÁ A UBSTITUIR O CULTO

Mais do que informar, a educação forma. Ela não molda apenas a forma como os nossos filhos pensam, mas também o que eles amam, odeiam e temem. A educação treinas as suas consciências, molda os seus anseios e constrói um altar nas suas almas. Um altar onde o deus que lhes é pregado se sentará.

É por isso que Deus diz tão clara e vigorosamente: «Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.» (Deuteronómio 6:5-9)

Na Palavra de Deus não há lugar para a terceirização da educação dos nossos filhos. Não há permissões para o governo tomar o nosso lugar. Não há neutralidade em termos de fé. Os pais não são chamados a aprovar a educação ministrada por outros - são chamados a educar, para serem os teólogos à mesa de jantar e os instrutores em todo o tempo, para saturarem as suas casas com o conhecimento do Sagrado.

A educação não é opcional. É uma ordem divina. Quando a entregamos ao Estado, não falhamos, PERDEMOS.

Isto não é novo. No século passado, a comunista, feminista, Alessandra Kollontai, escreveu: «O homem novo, da nossa nova sociedade, será moldado pelas organizações socialistas, creches, infantários, escolas, residências universitárias e muitas outras instituições deste tipo, nas quais a criança passará a maior parte do dia e onde educadores inteligentes a converterão num comunista consciente da magnitude desta divisa inviolável: solidariedade, camaradagem, ajuda mútua e devoção à vida colectiva.[2] […] Ainda teremos de lidar com o problema dos filhos. Porém, no que se refere a essa questão, o Estado […] lançar-se-á em auxílio da família, SUBSTITUINDO-A, gradualmente: a sociedade [o Estado] tomará conta de todas aquelas obrigações que antes recaíam sobre os pais.[3] […] Desde agora, a mãe operária que tenha plena consciência da sua função social, elevar-se-á ao extremo que chegará a não estabelecer diferenças [como] "os teus e os meus"; terá que recordar sempre que de agora em diante não haverá mais "nossos" filhos, mas sim os [filhos] do Estado Comunista, um bem comum a todos os trabalhadores.[4]

E, antes que me acusem de estar a citar uma feminista do século passado, permita-me citar o Dr. Jorge Sarmento de Morais, chefe de gabinete do ex-ministro da Educação, Dr. João Costa, que, na assembleia da Câmara Municipal de Lisboa de 2 de Novembro de 2023, disse: «O papel das escolas é retirar as crianças à família para as fazer crescer em comunidade.»

É isso que os sucessivos governos – mais vermelhos, rosa ou laranja - têm vindo a fazer. O Estado sabe que se conseguir expropriar os pais da educação dos seus filhos, para os moldar, governará o futuro deles. O objectivo da Escola não é ensinar os alunos a pensar, mas sim o que pensar.

As escolas estatais não são meramente seculares - são sacramentais. Elas baptizam os nossos filhos nas águas do hedonismo, do individualismo, da rebelião, da revolução sexual, do relativismo moral e do estatismo e treinam os nossos filhos para desprezarem a masculinidade e as nossas filhas para desprezarem a feminilidade e a maternidade. A Escola estatal não se limita a ignorar Cristo. Substitui-O.

A COVARDIA DA IGREJA

Quem governa a Escola controla o mundo. O Estado compreende o poder da educação e tem sido muito mais diligente na formação de discípulos do que muitos pais cristãos.

Quantos pais cristãos mandariam os seus filhos para uma mesquita cinco dias por semana? Creio que nenhum. Mas, mandam-nos para escolas públicas que pregam um evangelho igualmente condenável - e encolhem os ombros.

Sabem que o sistema está podre. Sabem o que está a ser ensinado. Sabem das drag queens, das exposições e dos manuais pornográficos, da confusão sexual (de géneros), da diabolização da fé cristã - e, no entanto, por uma questão de conveniência, tradição ou custo, continuam a oferecer os seus filhos no altar do sacrifício.

Isso não é apenas falta de compromisso. É uma traição à ordem de Deus expressa em Deuteronómio 6:5-9.

Não se pode catequizar os filhos duas horas por semana e esperar que eles resistam a cinquenta horas de desconstrução da fé cristã. Não estamos a perder os nossos filhos porque o mundo é demasiado forte. Estamos a perdê-los porque os nossos lares são demasiado fracos.

CRISTO É SENHOR

Se Cristo não é Senhor de tudo e de todos, não é Senhor de nada. Isso inclui a sala de aula. Como Paulo declarou: «Ele é antes de todas as coisas, e n'Ele todas as coisas subsistem». (Colossenses 1:17)

Jesus Cristo não é apenas Senhor sobre o púlpito - Ele é Senhor sobre a tabela periódica, a matemática, a história, a literatura e a biologia. Sobre o quadro negro, sobre o quadro branco e sobre todas as escolas.

Abraham Kuyper disse-o assim: «Não há um centímetro quadrado em todo o domínio da nossa existência humana sobre o qual Cristo, que é Soberano sobre tudo, não grite: ‘Meu!’».

Cada ser humano pertence-Lhe, cada alma foi criada por Ele, e todas as escolas que se recusam a honrá-Lo estão a honrar outro senhor.

NÃO É OPCIONAL

Pais, não estão a decidir apenas onde é que os vossos filhos vão ter aulas. Estão a decidir a que reino é que eles vão pertencer. Estão a escolher a liturgia que vai formar os seus amores, a cultura que vai moldar as suas convicções e o evangelho que vai exigir a lealdade deles. Se os enviardes a César, não vos surpreendais quando regressarem romanos, a curvarem-se diante dos ídolos e a escarnecerem do Deus que dizeis servir.

E um dia - talvez mais cedo do que pensais - respondereis perante o Senhor se criastes os vossos filhos na educação e admoestação do Senhor... ou na propaganda e veneno do Faraó. O que está em jogo é eterno.

Não é “apenas um currículo”. O que está em causa é Cristo. Não se trata de tirar boas notas a matemática. Trata-se de mestres. Não se trata da qualidade dos académicos. Trata-se de lealdade.

Não há terreno neutro. Não há um caminho do meio. Não há segurança secular.

Recentemente, soube que o Ministério da Educação – Direção-Geral da Educação pretende introduzir o Referencial de Educação para a Ética e Integridade na Educação no Pré-Escolar, Ensino Básico e Ensino Secundário. Ao analisar o Referencial, logo na página 5, li: «a Escola é, possivelmente, o primeiro contacto que as crianças têm com regras, processos e estruturas organizacionais».

Imediatamente pensei: E o papel da família? Qual é o papel da família na educação dos seus filhos?  Quando é que a Família deixou de ser a célula base da sociedade, a comunidade privilegiada para a garantia da liberdade, da segurança e da fraternidade, onde cada criança deverá encontrar o ambiente de amor propício para crescer e formar-se na sua personalidade?

É na família, e não no Estado, que se inicia a vida em sociedade! Porque é que os sucessivos governos – sobretudo por meio do domínio que exercem sobre a educação escolar – desconfiam das famílias e legislam no sentido de mandar nelas e na educação familiar dos seus filhos, em vez de as respeitar, proteger e promover?

O sistema educativo escolar não tem a função de suplantar ou substituir a Família, norteado por princípios ideológicos inscritos em leis de maiorias parlamentares. A Escola deve respeitar a autonomia natural de todas e cada uma das famílias.

ESCOLHEI

Escolhei a coragem em vez do conforto. A convicção em vez da conveniência. O Reino em vez da cultura woke. Catequizai os vossos filhos ou o mundo fá-lo-á. Treinai-os para serem fiéis a Jesus Cristo ou serão treinados para O trair. Criai-os para Cristo ou vede-os cair nas mãos de César.

A neutralidade é uma mentira. Educar é uma guerra. E vosso lar é a linha da frente.

Cristo ou César. Têm de escolher. E têm de escolher agora.

 

 

[1] Engels e Marx, Janeiro de 1849, jornal Nova Gazeta Renana, de Karl Marx.
[2] Aleksandra Mijaylovna Kollontay, feminista soviética e comunista. Livro: O Comunismo e a Família, 1921
[3] Aleksandra Mijaylovna Kollontay, feminista soviética e comunista. Livro: O Comunismo e a Família, 1921
[4] https://www.marxists.org/portugues/kollontai/1920/mes/com_fam.htm

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