Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Identidade de Género - Ideologia ou ciência?

Todos os alunos e professores estão a levar com políticas ideológicas de género que anulam proteções baseadas no sexo ao dar prioridade aos sentimentos em vez da biologia.

Identidade de Género - Ideologia ou ciência?

Todos os alunos e professores estão a levar com políticas ideológicas de género que anulam proteções baseadas no sexo ao dar prioridade aos sentimentos em vez da biologia.

OS PAIS: A DOR MASCARADA EM SORRISOS DE “AFIRMAÇÃO”

Junho 07, 2025

Maria Helena Costa

Por Marisa Antunes

image-15.png

A medicina de género, a forma como está a ser praticada por auto-diagnóstico dos jovens pacientes nos nossos hospitais e clínicas privadas (e que a lei aprovada pela Esquerda de Costa, em 2018, apelidou de autodeterminação de género), é um crime. E não é normal que esta continue a ser praticada numa base diária como continua a ser.
Governantes de todo o mundo já reconheceram que pactuar com a mentira dos ideólogos de género é manchar para sempre o seu currículo político, daí assistirmos a uma mudança de posição nesta matéria até em gente de Esquerda como Lula ou Starmer que tiveram coragem de fazer reformas de forma a alinharem-se, novamente, com a ciência.
Os portugueses irão exigir semelhante postura a Montenegro. Não tenhamos dúvidas. Perceber o fenómeno ideológico é urgente e terá de se rodear de pessoas decentes e isentas no ministério da Saúde com capacidade e sensibilidade para colocar ordem no que o PS já semeou no SNS através de uma rede de médicos e psicólogos transativistas. Até porque as raízes já estão bem firmes…

Recebo muitas mensagens públicas e privadas de vários tipos de pessoas. Algumas estão envolvidas direta ou indiretamente no drama, sejam pais, professores ou profissionais de saúde. Outras são apenas de pais que tendo os seus filhos a salvo do culto trans, assistem, espantados, a estas mudanças súbitas em colegas dos seus filhos, alguns já de longa data. É recorrente dizerem-me que se espantam com a forma como os pais desses miúdos “aceitam” aparentemente bem esta inesperada “autodeterminação” dos seus filhos que mudaram de forma tão radical de um momento para o outro. Pois, mas não é bem assim…


Este texto que incluo aqui hoje representa bem como ocorre esse processo de aceitação instantânea ao mesmo ritmo instantâneo da autodeteminação dos miúdos. “Influencers” e aqui leia-se também escolas, psiquiatras e psicólogos “afirmativos”, transmitem aos miúdos que a sua autodeterminação é absolutamente válida em qualquer circunstância. As patologias eventualmente associadas a este estado de espírito disfórico (como por ex, depressão, autismo, ADHD, dismorfia corporal, PCOS, homofobia internalizada, traumas sexuais, etc) são absolutamente ignoradas. Pais que não aceitem o diagnóstico devem ser “castigados” pela sua suposta “transfobia”. Isso inclui comportamentos auto-lesivos por parte dos jovens ainda dependentes financeiramente dos seus progenitores ou o corte radical de relações com os mesmos quando os jovens já são maiores e independentes financeiramente. Os pais apanhados nessa ratoeira ideológica plantada no cérebro dos miúdos tomam a decisão mais difícil e distópica das suas vidas. Quer alinhem ou não com a charada que coloca tudo em jogo.

Vale mesmo a pena ler a partilha desta jovem detrans na plataforma da Genspect, organização que alerta para o fenómeno de contágio social trans.

FORMAÇÃO «Identidade de género - ideologia ou ciência?"

Janeiro 07, 2025

Maria Helena Costa

8.png

9.png

10 (1).png

11.png

12.png

 

13.png

14.png

15.png

16.png

17.png

INSCREVA-SE AQUI 

Exmo/a Senhor/a

Um novo ano se inicia e urge perceber o que se está a passar nas escolas, para podermos proteger os nossos filhos e alertar outros pais.
Nesse sentido, preparámos a formação «Identidade de género - ideologia ou ciência?". 

O que é que os pais precisam de saber e fazer?
Os pais precisam de saber o que se passa na Escola;
Porque é que os direitos parentais são importantes;
Se os seus direitos, como pais, estão protegidos por lei;
Como é que esses mesmos direitos parentais estão a ser postos em causa;
E como é que podem AGIR para proteger os seus filhos e os seus direitos.

Foi a pensar nisso que preparámos esta formação, pois acreditamos no nosso slogan:

«PAIS (IN)FORMADOS, FILHOS PROTEGIDOS»

Não deixe de divulgar a formação.

INSCREVA-SE AQUI 

 

Ao terapeuta de género da minha filha: estava enganado.

Abril 04, 2024

Maria Helena Costa

419242465_813324654164796_3874815411910526383_n.jp

Nenhuma criança «nasce no corpo errado».

Já passaram alguns meses desde que o senhor e a minha filha tiveram a última de quatro sessões. Na terceira sessão, fui convidada a assistir a uma discussão sobre os efeitos da T, a testosterona, num corpo humano feminino. Sorriu calmamente enquanto nos conduzia através de uma série de diapositivos Powerpoint, explicando que os órgãos reprodutores da minha filha atrofiariam, que lhe cresceria a barba, que a sua voz se tornaria mais grave e que «o falo» [clitóris] aumentaria de tamanho. Fiquei sentada a ouvir, invocando todas as minhas capacidades de psicóloga clínica para não lhe atirar um discurso à frente da minha frágil filha de 17 anos.

Entre a sua terceira e a quarta (e última) sessões com a minha filha, tivemos uma conversa individual em que, creio, reconheceu que esta mãe e esta família não iriam entregar facilmente ou de bom grado esta criança aos serviços de transição de género para os quais estava preparado para a encaminhar após apenas três reuniões de quarenta e cinco minutos.

Perguntei-lhe o que havia especificamente na minha filha que o convenceu de que a transição médica seria o curso de acção correcto para aliviar o seu sofrimento. Disse: «Ele tem Disforia de Género.» Eu disse: «Ela tem um distúrbio alimentar, dismorfia corporal e PHDA, que parecem ter algumas características que se sobrepõem à Disforia de Género. Por que é que não avalia e trata essas características antes de desencadear qualquer tipo de intervenção médica?»

Perguntei-lhe o que aconteceria se a minha filha, ao tomar T e passar pelas mudanças que descreveu, não ficasse aliviada da sua disforia. E se os seus sentimentos e sintomas de aversão a si própria, dissociação, ansiedade, depressão e auto-agressão se agravarem?

O senhor encolheu-se visivelmente perante as minhas perguntas e respondeu que a maioria das pessoas que fazem a transição estão satisfeitas com os resultados e não se arrependem da sua decisão. Perguntei onde poderia encontrar estudos longitudinais revistos por pares que sugerissem que afirmar e facilitar a transição social e médica de género produz adolescentes e jovens adultos felizes e bem ajustados. Disse que me enviaria de bom grado as hiperligações para esses estudos. As ligações nunca chegaram.

Fui clara, talvez brutalmente, que a afirmação da identidade de género masculina não seria o foco das vossas sessões subsequentes e que, em vez disso, a ajudariam a explorar o seu desconforto com o seu corpo feminino curvilíneo, agora quase totalmente desenvolvido. Falaria com ela sobre a sua ansiedade, a sua depressão, o seu talento, o sentimento de alienação dos seus pares numa escola secundária suburbana altamente competitiva e o impacto da pandemia num momento tão crucial da sua vida. Por outras palavras, trabalharia para abrandar o comboio da transição.

Ao recordar essa conversa, sinto uma sensação de pavor retardado, pois isso foi antes de saber que as principais associações médicas e de saúde mental, a lei e os principais intervenientes do nosso governo estatal e federal também tinham adoptado uma posição de afirmação da identidade de género, embora para os seus próprios fins pessoais e políticos. Na altura, não sabia que, nalguns casos, os pais tinham sido denunciados aos Serviços de Protecção de Menores apenas por se recusarem a dirigir-se a uma criança com o nome e os pronomes preferidos. De certa forma, porém, estou contente com a minha ignorância, porque acredito que a minha reação vigorosa e precoce salvou a vida da minha filha. Não voltaria atrás em nada do que fiz.

Com uma abundância de amor incondicional, uma verdadeira psicoterapia, cuidados psiquiátricos sólidos e algumas mudanças há muito esperadas na sua vida pessoal e social, a minha filha está a assumir-se como uma jovem adulta peculiar, espirituosa e não-conformista com o género. Está a sofrer à medida que se livra da sua preocupação em transformar química e cirurgicamente o seu corpo em algo que nunca resultaria no facto de ser homem. Ela não terá de viver a sua vida num corpo de Frankenstein. Nada de vagina seca e enrugada. Sem barba ou calvície de padrão masculino. Nada de cordas vocais irreversivelmente espessas. E nada de clítoris aumentado e exposto. Chamaste-lhe falo, mas ela nunca urinaria ou ejacularia pelo clítoris. É anatomicamente impossível.

Uma coisa extremamente importante que aprendemos ao longo do processo é que a minha filha, tal como muitos outros jovens que declaram a sua identidade transgénero na adolescência, está no espectro do autismo. Foi diagnosticada por um psiquiatra de crianças e adolescentes experiente e está agora a compreender como certos aspectos do seu autismo resultaram no colapso e na redução da sua atenção à identidade de género como forma de explicar e lidar com o que lhe dificultou a vida durante os anos do ensino básico e secundário. Ela está a aprender a reconciliar-se com o facto de ser socialmente desajeitada e ter interesses idiossincráticos e será melhor por isso quando habitar o seu eu adulto completo, algures nos seus 20 e poucos anos. Ela é um ser humano brilhante e belo, cujo futuro esteve tão perto de lhe ser roubado pela indústria da transição de género.

Leia + AQUI

Permitam-me que termine dizendo que as coisas estão a mudar em alguns países da Europa e nos EUA, onde um movimento crescente de pais e profissionais de saúde com ética, muitos dos quais progressistas de longa data e apoiantes ativos de pessoas e causas LGBTQ, estão a organizar-se e a manifestar a sua indignação e rejeição da ideologia de género e das práticas de tratamento prejudiciais aos jovens. Quando as ações judiciais começarem a chegar, isso será exposto como um dos maiores escândalos médicos da história.

Evidências contra a medicalização de género de crianças

Março 30, 2024

Maria Helena Costa

431989109_18021702056088785_8680330624072276182_n.

São cada vez mais as evidências que se amontoam contra a medicalização de género de crianças, adolescentes e jovens adultos.
Desta vez pela mão da especialista de género de topo da Finlândia, já em artigos anteriores inequivocamente vocal acerca do mito do suici*** da juventude trans e da tomada ativista de instituições, profissionais médicos e indústria médica.
Não existem evidências que apontem para uma redução na morte por suici*** depois dos chamados “cuidados afirmativos de género”.
Os “cuidados afirmativos de género” são a linha médica adoptada em Portugal 🇵🇹.

432415723_18021702065088785_8906624674842896544_n.

 
Partilhe com um pai, mãe, amigo ou familiar. A sua acção conta. Nem mais uma criança medicalizada.
 

A linguagem utilizada por estes membros do WPATH é preocupante

Março 30, 2024

Maria Helena Costa

433684603_18022184228088785_3320168620471277185_n.

Este é um debate sobre pessoas com Transtorno de Identidade da Integridade Corporal (TIIC), uma doença psicológica rara caracterizada por um desejo intenso de amputar um membro ou membros específicos. Os membros do WPATH discutem a amputação como um procedimento que proporciona alívio da condição.
 
Algumas das preocupações citadas prendem-se com a dificuldade em encontrar cirurgiões que realizem amputações devido a preocupações éticas. Um dos membros cita a sua própria falta de experiência “para diagnosticar esta doença de forma diferente de outros problemas de saúde mental”.
 
Um dos membros da WPATH menciona que a psicoterapia pode prevenir a auto-mutilação, uma vez que as pessoas com TIIC estão em risco, mas rejeita-a e volta à necessidade de intervenção cirúrgica para aliviar os sentimentos de desconforto.
Outra questão importante que referem é o facto de as pessoas com TIIC “apresentarem algumas características semelhantes às pessoas trans”. Um deles compara a TIIC à identidade de género e diz que é um problema para toda a vida e que é “igualmente improvável que seja resolvido sem intervenção cirúrgica”.

433614857_18022184237088785_2361656701912662982_n.

O último comentário neste tópico abre a porta a que as amputações de membros saudáveis sejam vistas como as chamadas cirurgias de “mudança de sexo” são vistas atualmente; uma parte do percurso da identidade de alguém.
A linguagem utilizada por estes membros do WPATH é preocupante; um deles menciona que “concorda com uma abordagem afirmativa”; outro discute as objeções éticas dos cirurgiões, dizendo que não farão cirurgias “que seriam necessárias para alinhar os corpos das pessoas com TIIC com as suas mentes”.
 
Tradução do post original da @genspectinternational
 

Um estudo finlandês de referência está a mudar a forma como abordamos as crianças transgénero

Março 27, 2024

Maria Helena Costa

A landmark study out of Finland suggests that medical interventions for transgender kids may not actually save their lives.

A landmark study out of Finland suggests that medical interventions for transgender kids may not actually save their lives.AFP via Getty Images

 

Por: Benjamin Ryan
Publicado: em 24 de fevereiro de 2024

O movimento que apoia tratamentos de transição de género para crianças baseia-se na afirmação de que as intervenções médicas pediátricas não são apenas "medicamente necessárias" - mas verdadeiramente "salvam vidas". No entanto, nenhum investigador tentou descobrir se essa afirmação é verdadeira. Até agora.

Um novo e importante estudo realizado na Finlândia descobriu que a prescrição de hormonas de sexo cruzado e cirurgias de transição de género a adolescentes e jovens adultos não parece ter qualquer efeito significativo nas mortes por suicídio. Além disso, a angústia e desconforto de género suficientemente graves para enviar os jovens para uma clínica de género também não estava ligada de forma independente a uma maior taxa de mortalidade por suicídio.

O que é que estava independentemente ligado a uma maior probabilidade de suicídio em jovens adultos?

Um elevado número de consultas com especialistas em saúde mental; por outras palavras, problemas graves de saúde mental. Assim, os investigadores concluíram duas coisas:  Em primeiro lugar, que as mortes por suicídio eram mais elevadas, mas ainda assim raras, nos jovens com stress de género. E segundo, que a taxa de suicídio mais elevada deste grupo estava relacionada com o facto de terem uma taxa mais elevada de problemas psiquiátricos graves e não com a sua angústia ou desconforto de género. O que estes jovens precisam com mais urgência, concluíram os autores do estudo, é de cuidados de saúde mental abrangentes - e não necessariamente de intervenções médicas controversas.

Este estudo chega ao cerne de um debate aceso: se a elevada taxa de problemas de saúde mental dos jovens identificados como trans é maioritariamente causada pelo julgamento severo da sociedade em relação às pessoas trans. Ou se, como muitos cépticos defendem, pelo menos alguns jovens podem identificar-se como trans como forma de lidar com problemas de saúde mental que não são motivados pela identidade de género.

Erica Anderson, um homem transidentificado que se identifica como mulher, psicólogo e antigo director da USPATH, parte da Associação Profissional Mundial de Medicina Transgénero WPATH, disse que o novo estudo finlandês «vai fazer um grande impacto». Ele desaprovou uma pergunta comum que as clínicas de género fazem aos pais que estão em risco: «Preferem ter um filho vivo ou uma filha morta?» «É muito pouco ético dizer esse tipo de coisa aos pais», disse a Dra. Riittakerttu Kaltiala, líder do novo estudo, publicado a 17 de Fevereiro, e psiquiatra de topo de adolescentes no Hospital Universitário de Tampere, na Finlândia. «Não se baseia em factos».

O Dr. Marci Bowers [homem transidentificado que se identifica como mulher], cirurgião de afirmação de género e presidente da WPATH, disse: «O suicídio é, e sempre foi, uma forma deficiente de medir a eficácia dos cuidados de afirmação do género. Por vezes, tem sido apresentado como uma razão para justificar os cuidados de afirmação do género, dizendo que os doentes têm níveis mais elevados de ideação suicida, e tudo isso é verdade. Mas essa não é a medida da eficácia dos cuidados de afirmação do género. No que me diz respeito, esse barco já zarpou. É esmagadoramente eficaz».

As conclusões da investigação da Dra. Kaltiala vão contra uma vasta e poderosa coligação de apoiantes do tratamento de transição de género para jovens, que afirmam que este salva vidas - incluindo a WPATH, as principais sociedades médicas dos EUA, como a Academia Americana de Pediatria, a ACLU e grupos LGBTQ como a GLAAD e a Human Rights Campaign. A própria Dra. Kaltiala já foi uma defensora do tratamento de transição de género para adolescentes. Lançou uma das primeiras clínicas pediátricas de género da Finlândia em 2011, mas rapidamente começou a ter dúvidas. Desde então, várias equipas de investigadores analisaram sistematicamente os estudos disponíveis sobre a medicina de transição de género para crianças. Todos eles consideraram a ciência inferior e incerta.

Para o seu novo estudo, a equipa da Dra. Kaltiala baseou-se nos registos de saúde nacionalizados da Finlândia. Eles examinaram os registos de todas as 2,083 pessoas que tiveram sua primeira visita a qualquer uma das duas clínicas de género do país aos 22 anos ou menos - aos 18 em média e tão jovens como com 8 anos - de 1996 a 2019. Esses pesquisadores reuniram um grupo de comparação de quase 17,000 finlandeses. Este grupo incluía oito pessoas por cada pessoa com perturbação de género, de acordo com a sua idade e local de nascimento. Havia uma média de quase 7 anos de informações de saúde sobre cada pessoa, até junho de 2022. Trinta e oito por cento dos jovens com perturbações de género tomaram hormonas de sexo cruzado ou foram submetidos a cirurgias de transição de género. Muitos iniciaram este tratamento antes dos 18 anos, disse a Dra. Kaltiala. Registaram-se 55 mortes. Vinte foram suicídios, incluindo 7, ou seja 0,3 por cento, dos jovens com angústia ou desconforto de género e 0,1 por cento do grupo de comparação.

Descobriu-se que nem ir a uma clínica de género nem submeter-se a um tratamento de transição de género estava vinculado a uma diferença significativa independente na taxa de suicídio construída num estudo de 2023 pela Dra. Kaltiala.

Esse artigo mostrou que, depois que as pessoas receberem tratamento de transição de género, elas não consultaram especialistas psiquiátricos com menos frequência. Isto sugere que o tratamento não melhorou a sua saúde mental. «Não devemos pensar que a mudança de sexo, por si só, é toda a ajuda de que necessitam», disse a Dra. Kaltiala sobre os jovens com problemas de género.

Paul Garcia-Ryan, presidente da Therapy First, que apela ao aconselhamento como tratamento prioritário para a angústia ou desconforto de género dos jovens, apontou para as directrizes que dizem que os jornalistas e os médicos não devem simplificar demasiado o suicídio ou dizer que é uma resposta esperada a qualquer fator. Se o fizerem, disse Garcia-Ryan, podem na realidade causar «ou agravar os pensamentos suicidas em jovens vulneráveis».

Resta saber se os defensores do acesso por adolescentes a medicamentos para a transição de género levarão a peito as conclusões do estudo finlandês.

A GLAAD, por exemplo, afirmou que a «ciência está estabelecida» relativamente aos benefícios deste tipo de tratamento.

Mas a ciência é complexa e está sempre a evoluir. Inovadores e baseados em dados, estes estudos finlandeses sugerem fortemente que chegou o momento de nos afastarmos das afirmações de que as intervenções médicas salvam a vida dos jovens e de aumentarmos o apoio aos cuidados de saúde mental.

Fonte

 

Conversas vindas a público revelam incerteza sobre

Março 08, 2024

Maria Helena Costa

Os cuidados médicos transgénero

trans.png

Os ficheiros lançam luz sobre uma área controversa da medicina que, em grande parte, tem sido relegada para a sombra

Poucas áreas da medicina suscitam emoções tão fortes na América como os cuidados da medicina transgénero. A publicação, esta semana, de centenas de mensagens de um fórum interno de troca de mensagens vai alimentar ainda mais este fogo. Os ficheiros mostram membros da Associação Profissional Mundial para a Saúde dos Transgéneros (WPATH), uma associação profissional e educacional interdisciplinar dedicada a esta área, a discutir a forma de tratar os pacientes.

O grupo sem fins lucrativos que obteve e publicou os ficheiros, Environmental Progress, que defende pontos de vista fortes sobre mais do que apenas o ambiente, afirma que os documentos revelam “negligência médica generalizada em crianças e adultos vulneráveis”. Esta afirmação é questionável. Mas os padrões de cuidados da WPATH foram anteriormente citados por outras organizações médicas, particularmente na América. As discussões dos seus membros mostram que a prestação dos chamados cuidados de afirmação do género está repleta de muito mais dúvidas do que a mensagem exterior da WPATH de que tais intervenções “não são consideradas experimentais”.

É útil lançar luz sobre este campo, mesmo que a divulgação de informações privadas – incluindo nomes de profissionais – seja eticamente duvidosa. Uma vez que os cuidados de afirmação do género se tornaram politizados, a sua prática recuou para a sombra. É raro ter-se uma ideia do que se trata.

Com base nos ficheiros, o WPATH tem membros que são preocupantemente dogmáticos. Mas, na maior parte das vezes, as trocas de impressões revelam um grupo de cirurgiões, assistentes sociais e terapeutas que se debatem sobre a melhor forma de servir os doentes. Debatem os desafios de obter o consentimento informado para tratamentos médicos de crianças e pessoas com problemas de saúde mental. Trocam dicas sobre como lidar com os pedidos de cirurgia “não normalizada”, como os pacientes que gostariam de preservar o seu pénis mas também de ter uma “neovagina” (através de um procedimento conhecido como “vaginoplastia preservadora do falo”).

“Estou definitivamente um pouco perplexo”, diz um terapeuta sobre a tentativa de fazer com que pacientes com apenas nove anos de idade compreendam o impacto que as intervenções teriam na sua fertilidade. (Os medicamentos hormonais podem reduzir permanentemente a fertilidade e até causar esterilidade em alguns casos). Os colegas concordam que falar com uma rapariga de 14 anos sobre a preservação da fertilidade provoca reacções como: “Crianças, bebés, que nojo”, ou “Vou adotar”. Um clínico admite que “tentamos falar sobre o assunto, mas a maior parte dos miúdos não está num espaço cerebral que lhes permita falar sobre isso de uma forma séria”. E acrescenta: “isso sempre me incomodou”.

A preocupação com as mudanças irreversíveis no corpo das crianças e a impossibilidade de obter o seu consentimento informado têm estado no centro da controvérsia sobre a medicina transgénero. Nos Estados Unidos, 23 estados já restringiram ou proibiram este tipo de cuidados a menores, apesar de quase todas as associações médicas americanas o apoiarem – uma questão sobre a qual o Supremo Tribunal foi convidado a pronunciar-se. Muito menos atenção tem sido dada à questão de saber se os pacientes adultos com perturbações psiquiátricas podem dar o seu consentimento informado para tais procedimentos. Sobre este assunto, os ficheiros são especialmente reveladores.

No outono de 2021, vários profissionais referem que têm um elevado número de pacientes com Perturbação Dissociativa da Identidade, anteriormente conhecida como Perturbação de Personalidade Múltipla. O grupo discute os desafios de obter o consentimento de cada “alter” (personalidade alternativa) antes de iniciar a terapia hormonal, especialmente quando os alter tinham identidades de género diferentes. Alguns membros pareciam encarar a doença principalmente através da lente da identidade. Como disse um terapeuta: “também eu gostaria de saber como é que nós, clínicos, podemos trabalhar com estes clientes para honrar a sua identidade de género e as suas identidades de ego fracturadas”. Para uma área por vezes acusada de sobre-medicalização, esta “sub-medicalização” é igualmente preocupante.

Tem a certeza?

A conversa aventura-se no absurdo – e soa mais ideológica do que clínica – quando se fala de pedidos invulgares de modificações corporais. “Recentemente, tenho encontrado cada vez mais pacientes a pedir procedimentos ‘não-padrão’, como cirurgia de topo sem mamilos, anulação [a remoção de todos os órgãos genitais externos] e vaginoplastia com preservação do falo”, escreve um cirurgião da Califórnia. Vários membros reconhecem este facto e trocam dicas. Um deles pergunta se “não-padrão” é o melhor termo, uma vez que “podem tornar-se padrão no futuro”.

O cirurgião da Califórnia partilha o seu site, que inclui um menu de opções cirúrgicas, e acrescenta que se sente “bastante à vontade para adaptar as minhas operações às necessidades de cada paciente”. Esta atitude de compras cirúrgicas é exclusivamente americana. A sua aceitação não ajudará a medicina transgénero com o seu argumento de que é medicamente necessária e não experimental.

Em resposta às fugas de informação, o cirurgião da Califórnia diz que se sente à vontade para realizar estas operações porque “a WPATH reconhece estes procedimentos e estabeleceu directrizes baseadas em provas sobre como ajudar um doente que os solicita”. Mas uma médica do Canadá diz que, depois de entrar no fórum, as suas “expectativas de discurso científico foram rapidamente frustradas”. As suas mensagens foram recebidas com “reacções emocionais, políticas ou sociais em vez de reacções clínicas”.

A WPATH e, de uma forma mais geral, os defensores dos cuidados afirmativos de género, sentiram a necessidade de apresentar um nível de certeza numa área da medicina cheia de incertezas. Trazer a discussão franca para o espaço público será certamente saudável.

 


 

Publicação: The Economist (EUA)
Data: 5 de Março 2024
Tradução: Maria Azevedo (associada)

Em crianças, pensavam que eram trans. Agora já não pensam. (1)

Fevereiro 15, 2024

Maria Helena Costa

59893e40-7a4c-460f-a55c-99a68e234bc8.jpg

https://www.nytimes.com/2024/02/02/opinion/transgender-children-gender-dysphoria.html

Grace Powell tinha 12 ou 13 anos quando descobriu que podia ser um rapaz.

Tendo crescido numa comunidade relativamente conservadora em Grand Rapids, Michigan, Powell, tal como muitos adolescentes, não se sentia confortável na sua própria pele. Era impopular e frequentemente vítima de bullying. A puberdade piorou tudo. Sofria de depressão e andava sempre a entrar e a sair da terapia.

«Sentia-me tão desligada do meu corpo, e a forma como ele se estava a desenvolver parecia-me hostil», contou-me Powell. Era a clássica disforia de género, um sentimento de desconforto com o seu sexo.

Ao ler sobre pessoas transgénero na Internet, Powell acreditou que a razão pela qual não se sentia confortável no seu corpo era porque estava no corpo errado. Fazer a transição parecia ser a solução óbvia. A narrativa que tinha ouvido e absorvido era a de que, se não se fizesse a transição, acabaria por se matar.

Aos 17 anos, desesperada por começar a terapia hormonal, Powell deu a notícia aos pais. Eles enviaram-na a um especialista em questões de género para se certificarem de que ela estava a falar a sério. No Outono do último ano do liceu, começou a tomar hormonas para a transição de sexo. Fez uma mastectomia dupla no verão anterior à faculdade e depois foi para o Sarah Lawrence College como um homem transgénero chamado Grayson, onde foi colocada com um colega de quarto masculino num piso para homens. Com 1,80 m de altura, sentiu que parecia um homem gay muito efeminado.

Em nenhum momento da sua transição médica ou cirúrgica, diz Powell, alguém lhe perguntou as razões da sua disforia de género ou da sua depressão. Em nenhum momento lhe perguntaram sobre a sua orientação sexual. E em nenhum momento lhe perguntaram sobre qualquer trauma anterior, pelo que nem os terapeutas nem os médicos souberam que ela tinha sido abusada sexualmente em criança.

«Gostava que tivesse havido conversas mais abertas», diz-me Powell, agora com 23 anos e detransicionada [1] «Mas disseram-me que há uma cura e uma coisa a fazer se este for o teu problema, e que isto te vai ajudar.»

Os progressistas retratam frequentemente o aceso debate sobre os cuidados a ter com os transexuais na infância como um confronto entre aqueles que estão a tentar ajudar um número crescente de crianças a expressar aquilo que acreditam ser o seu género e os políticos conservadores que não deixam as crianças serem elas próprias.

Mas os demagogos de direita não são os únicos que inflamaram este debate.

Os activistas transgénero têm promovido o seu próprio extremismo ideológico, especialmente ao insistirem numa ortodoxia de tratamento que tem enfrentado um escrutínio crescente nos últimos anos. De acordo com esse modelo de tratamento, espera-se que os clínicos afirmem a identidade de género de um jovem e até forneçam tratamento médico antes, ou mesmo sem, explorar outras possíveis fontes de sofrimento.

Muitos dos que pensam que é necessária uma abordagem mais cautelosa - incluindo pais liberais bem-intencionados, médicos e pessoas que foram submetidas a transições de género e posteriormente se arrependeram dos seus procedimentos - foram atacados como anti-trans e intimidados a silenciar as suas preocupações.

E enquanto Donald Trump denuncia a «insanidade de género da esquerda» e muitos activistas trans descrevem qualquer oposição como transfóbica, os pais no vasto meio ideológico da América podem encontrar pouca discussão desapaixonada sobre os riscos genuínos ou as contrapartidas envolvidas naquilo a que os proponentes chamam cuidados de afirmação de género.

A história de Powell mostra como é fácil os jovens serem apanhados pela atração da ideologia nesta atmosfera.

«O que deveria ser uma questão médica e psicológica transformou-se numa questão política», lamentou Powell durante a nossa conversa. «É uma confusão.»

[1] NT: detransicionado é um termo que expressa a pessoa que desistiu do seu processo de transição ou de se identificar com o sexo oposto, os efeitos, porém, do processo hormonal ou cirúrgico não são reversíveis.

Continua: Um novo e crescente grupo de pacientes

Os Danos Irreversíveis da Ideologia Trans (4)

Janeiro 10, 2024

Maria Helena Costa

92655693_654869081743045_4512138473326510080_n.png

No dia 21 de Dezembro de 2023, fomos informados de que, de 2011 até então, Quase 200 menores já mudaram de sexo em Portugal (as jornalistas não sabem fazer contas, portanto, não foi em 6 anos, mas sim em 5, pois conta a partir de Agosto de 2018, após a aprovação da nefasta Lei 38/2018), que baixou para os 16 anos a idade em que menores poderiam começar a «mudar de sexo») e, de acordo com a notícia: «Este ano (2023), até 19 de dezembro, 69 menores mudaram de género e nome: 18 meninas e 51 meninos (o género após a alteração). Ou seja: 18 meninos e 51 meninas. No total, de 2018 até agora, 187 adolescentes de 16 e 17 anos iniciaram o processo de transição de identidade de género.» Em Março (2023) ficámos a saber que já eram 118 os menores que haviam mudado de sexo e, que: «Do total dos pedidos dos menores, 88 foram para passar do género feminino para o masculino e 30 para passar do género masculino para o feminino.» Portanto, e caso o objectivo dos jornalistas não seja mesmo o de confundir os leitores, creio que os números actuais são impossíveis de conhecer, pois as contas teimam em não bater certas... 

Aqui ficam os números noticiados, desde que a Lei 38/2018 foi aprovada: 

  • Em 2018, ano em que foi publicada a lei que permite a mudança de sexo por menores, 11 menores mudaram de sexo no CC;
  • Em 2019, foram 19 menores
  • Em 2020, foram 16 menores;
  • Em 2021, foram 30 menores;
  • Em 2022, foram 45 menores;
  • Em 10/03/2023, já eram 118 menores; ? Estranho, pois, se tivermos em conta os números noticiados até aqui, na verdade teríamos 121...
  • Em 05/06/2023, no curto espaço de 3 meses, aumentou para 140 menores;
  • Em 08/08/2023, aumentou para 150 menores;
  • Em 19/12/2023, passados 6 meses, disparou para cerca de 200 menores.

Voltando aos dados, que nos informam que as meninas são a esmagadora maioria das pessoas afectadas pela ideologia trans, ou seja, os dados confirmam que tudo o que tenho vindo a denunciar, sobre o facto de as meninas estarem a ser mais influenciadas pela ideologia de género do que os rapazes, é a mais dura e triste realidade. E, apesar dos activistas afirmarem que «pode ser solicitada por menores, [mas que] é algo que acontece apenas nos documentos oficiais», a verdade é que esses menores – meninas e meninos – estão a ser convertidos a uma ideologia, que os convence que podem de facto «mudar de sexo», e que, para isso, podem bloquear a puberdade, enveredar por um caminho de dependência química, e amputar partes saudáveis do seu corpo. Aliás, o activista lgbt+, António Vale, recorda que, em Espanha, os menores já podem pedir para «mudar de sexo» aos 12 anos, e informa: «Temos casos de crianças que estão com a transição social perfeitamente feita. Com oito, nove, 10 anos, 12 anos.»

Ou seja: crianças, que não podem tomar nenhuma outra decisão sobre a sua vida, pois não têm maturidade para o fazer, podem decidir ser do outro sexo?
Apesar de as notícias que chegam até nós, informarem que países como a Suécia, Noruega, Finlândia e alguns Estados dos EUA, os primeiros a adoptar a ideologia e a pô-la em prática, que começam a ter de lidar com queixas-crime de jovens adultos arrependidos, que, influenciados pela ideologia omnipresente e por influencers trans,  optaram por «mudar de sexo» na adolescência e foram levianamente encaminhados para tratamentos irreversíveis, por «profissionais de saúde» afirmativos, acabaram com os tratamentos médicos baseados no conceito da «identidade de  género»?

Sim. Por cá, a desinformação avança, a Escola é uma autêntica linha de montagem, e os políticos insistem na imposição de uma ideologia que resultará em mutilações genitais, muitos arrependimentos, e cada vez mais suicídios.

A desinformação começa quando se convencem crianças de tenra idade de que o sexo é mutável e de que basta sentir para ser. Aliás, a ideologia é tão contra-natura, que se não se introduzisse no ensino tão cedo, a partir do pré-escolar, não haveria tantos menores confusos. Mas, quantos jovens, que foram convencidos de que podem ser o que quiserem e se afirmam transgénero - mulher-homem – conhecem os riscos de uma metoidioplastia e de uma faloplastia?

De acordo com uma sondagem entre transgéneros, realizada nos EUA, em 2015, ainda que 36% das mulheres que se identificam como «homens trans» se tenham submetido a duplas mastectomias e 61% a desejassem, só 3% se submeteram a uma faloplastia e apenas 13% desejavam fazê-la.

O que é a metoidioplastia?

Consiste em dar forma ao clitóris para que se pareça com um pénis minúsculo. Esta cirurgia não está pensada para que o mini-pénis fique duro e possa penetrar, ainda que se possa fazer um alargamento da nova uretra (geralmente, utiliza-se tecido da face interna da boca) através do clitóris, para que seja possível urinar de pé. Há sites que afirmam que «a ereção é possível, porém muitas vezes o falo fica pequeno, impossibilitando a penetração». Portanto, é um risco e pode nunca vir a servir para nada…

E a faloplastia?

A faloplastia é a construção de um pénis, e não é para corações sensíveis. Para produzir o eixo do pénis e a uretra, o cirurgião deve usar tecidos do antebraço (dissecando a pele, a gordura, os nervos e os vasos sanguíneos). Então, o médico deve conectar os nervos para restaurar a sensibilidade no lugar do enxerto. Diz-se, que quando é feito pelos melhores cirurgiões do mundo o resultado chega a ser impressionante. Mas, a maior parte dos cirurgiões estão longe de ser os melhores do mundo e, hoje em dia, sucedem-se os relatos de complicações decorrentes da faloplastia.

Não é fácil enxertar com êxito uma pele similar à do pénis. Os desafios sucedem-se: criar a função de urinar, obter uma certa rigidez e conseguir que endureça o suficiente para poder praticar a penetração.  E ainda fica a faltar uma operação posterior, para enxertar implantes no falo enxertado e produzir assim o efeito similar ao de uma erecção. A delicadeza necessária para unir as peças em miniatura é tal, que até o simples feito de ligar todas as veias e artérias para permitir o fluxo de sangue ao novo apêndice exige habilidades microcirúrgicas que envergonhariam um mestre relojoeiro.

Os riscos sucedem-se

Os coágulos de sangue são frequentes uma vez que mesmo as lesões triviais no revestimento dos vasos sanguíneos fazem com que as plaquetas colem. Um coágulo pode fazer com que o enxerto falhe criando uma ferida aberta que não pode ser fechada com suturas devido à inflamação. A uretra recém-criada carrega os seus próprios riscos: vazamento interno e externo. Um vazamento interno pode produzir tecido cicatricial e estenose, que resulta na diminuição na força do jato urinário e pode até causar um bloqueio total do jato de urina. E, claro, a zona do antebraço, da qual onde se removeu o enxerto, que fica espantosamente desfigurada.

Os danos são irreversíveis

Uma jovem de 19 anos, viu a faloplastia transformar-se em gangrena e perdeu o apêndice. Ela foi despojada dos seus órgãos genitais de ambos os sexos e vive amarrada a um cateter que leva a urina para uma bolsa amarrada à sua perna.

Uma mulher de 40 anos, depois das hormonas, de uma mastectomia dupla e de uma histerectomia (operação que teve de repetir já que na primeira vez o cirurgião lhe cortou a bexiga), submeteu-se a uma metoidioplastia e ficou satisfeita durante algum tempo. Mas, para poder praticar coito vaginal como um homem, submeteu-se a uma faloplastia. A faloplastia de Blake (o seu nome masculino) foi um desastre. A uretra implantada desenvolveu estenose, o que requereu uma cirurgia adicional para inserir um cateter suprapúbico e assim desviar o fluxo urinário para que a ferida pudesse sarar. O tubo suprapúbico desenvolveu uma septicemia. Um coágulo de sangue – risco comum da faloplastia – provocou uma embolia pulmonar, que quase a matou. Uma equipa médica salvou-lhe a vida, mas deixou-lhe uma dor de partir o coração. Com o antebraço destroçado devido à extracção do enxerto já não podia levantar objectos, e até uma leve brisa bastava para enviar dolorosas descargas através da extremidade. Ela disse: «Tenho o braço incapacitado para toda a vida. Não consigo segurar nada. Não consigo segurar um garfo». A septicemia começou na uretra. Começou a crescer pelo no pedaço de pele que foi retirado do seu braço. Imagine um pelo encravado na barba e multiplique-o por mil. A uretra falhou. Tem de se sentar para urinar. Ficou com um pedaço de nada entre as pernas.

A ira encheu o coração de Blake. Muita da sua ira é dirigida ao cirurgião que a operou, mas também a uma cultura que, segundo ela, de tanto elogiar a ideia de «mudar de sexo», de a fazer parecer tão mágica, promove uma mentira. Até o seu psicólogo a incentivou a fazer a faloplastia. Mas, depois do fracasso da cirurgia, quando confrontado, ele respondeu-lhe que não tinha motivos para se arrepender, pois supunha que ela era transgénero.

Isso é assustador. A juventude é bombardeada, diariamente, com o glamour da transição, em como é fácil «mudar de sexo». Não faltam influencers a exaltar as maravilhas da transição… Se uma mulher de 40 anos se deixou arrastar pela ideologia, como resistirão os mais novos?

As políticas identitárias «amordaçam» os profissionais de saúde e proíbem-nos de fazer o seu trabalho. Se o médico não aceitar imediatamente o auto-diagnóstico do paciente é rotulado como transfóbico e pode passar um mau bocado nas mãos dos activistas trans, que não descansarão enquanto ele não for despedidos e não lhe retirarem a licença para exercer.

As esquerdas encostadas e, actualmente, o PS (que pegou nas causas que antes eram bandeiras do BE), ja aprovaram mais uma lei que impede os profissionais de saúde de examinar as origens da disforia de género nas crianças e adolescentes confusos, que enchem os consultórios de psicologia e psiquiatria. Chamam-lhe «práticas de conversão da orientação sexual» e dizem que pretendem «acabar com o vazio legal», mas, na verdade, o que querem é impedir que crianças e adolescentes, influenciados pelo ensino escolar e pelas redes sociais, possam ser devidamente acompanhados e aconselhados, pois sabem que se isso for feito «Cerca de 98% dos meninos e 88% das meninas confusos com o próprio género acabam por aceitar o seu sexo biológico depois de passarem naturalmente pela puberdade, segundo o DSM-V.»

Infelizmente, as consequências de satisfazer as exigências de adolescentes radicalmente ideologizados podem, facilmente, criar uma dependência química para toda a vida, introduzir graves riscos para a saúde e acarretar uma sucessão de cirurgias perigosas com resultados trágicos a longo prazo. A dependência química – para toda a vida - devia ser o último recurso, não a solução inicial. Devia ser uma decisão tomada por adultos, nunca por crianças.

Apesar disso, e contra toda e qualquer lógica, insultam-se, perseguem-se e diabolizam-se aqueles que pedem cautela e moderação com a transição de menores de idade, mas, não há como negar que os perigos são inumeráveis e as salvaguardas, inexistentes; e que talvez o maior risco para os adolescentes que de repente decidem que são do outro sexo, como se fosse uma bóia salva-vidas, seja o mais devastador, que acordem uma manhã sem mamas e sem útero e pensem: «Eu só tinha 16 anos… Era uma menina. Porque é que ninguém me impediu de fazer isto?». Ou: «Eu só tinha 16 anos. Era um rapazinho imaturo. Porque é que ninguém me impediu de fazer isto?»

Eu tentei. E, se Deus me der vida e saúde, continuarei a tentar.

Estimado leitor, se deseja saber mais acerca dos danos irreversíveis causados pela ideologia do género, e muito especialmente pelo activismo trans, aconselho-o a adquirir os livros aos quais fui buscar a informação que tenho vindo a partilhar: «Irreversible Damage: The Transgender Craze Seducing Our Daughters», de Abigail Shrier, e «Nadie nace en un corpo equivocado: Éxito y miseria de la identidad de gênero», de  José Errasti e Marino Pérez Álvarez.

Claro que os activistas vão dizer que nenhum dos autores é credível, mas é isso que se espera de quem adopta esta ideologia como a única «religião verdadeira» e não suporta vê-la desmascarada.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub