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Identidade de Género - Ideologia ou ciência?

Todos os alunos e professores estão a levar com políticas ideológicas de género que anulam proteções baseadas no sexo ao dar prioridade aos sentimentos em vez da biologia.

Identidade de Género - Ideologia ou ciência?

Todos os alunos e professores estão a levar com políticas ideológicas de género que anulam proteções baseadas no sexo ao dar prioridade aos sentimentos em vez da biologia.

Os Perigos Esquecidos na Narrativa Trans

Março 13, 2026

Maria Helena Costa

Num artigo recente publicado no Público (27 de janeiro de 2026), intitulado «“Eu odiava tudo em mim”: quase 3300 pessoas mudaram de género e de nome no Registo Civil desde 2018», somos confrontados com uma narrativa optimista sobre a “mudança de sexo” em Portugal. O texto sublinha que, desde a entrada em vigor da lei em 2018, quase 3300 indivíduos alteraram o seu sexo e nome no registo civil, incluindo 323 menores entre os 16 e os 17 anos. A história pessoal de Xavier — um jovem que aos 16 anos iniciou o processo legal e, posteriormente, tratamentos hormonais e uma mastectomia — é utilizada para ilustrar o alívio e a reconciliação com o corpo. O artigo menciona ainda um alerta de especialistas sobre o aumento do discurso de ódio, que poderia dissuadir mais pessoas de procurarem o reconhecimento legal da sua identidade de género.

No entanto, esta peça, como muitas outras na comunicação social mainstream, promove uma visão unilateral da mudança de sexo, ignorando deliberadamente os riscos graves associados, como as altas taxas de suicídio entre indivíduos trans, mesmo após a transição, e os casos de arrependimento e destransição. Esta omissão não é apenas jornalística; é irresponsável, especialmente quando se trata de menores vulneráveis.

De uma perspectiva crítica da ideologia de género — que questiona a ideologia trans como uma solução universal para o desconforto com o corpo e o sexo biológico —, é essencial equilibrar o debate com evidências científicas que revelam os perigos subestimados. Estudos internacionais mostram que indivíduos transgénero enfrentam riscos mentais significativos, independentemente da transição.

Por exemplo, um estudo dinamarquês de 2023, que acompanhou quase sete milhões de pessoas ao longo de quatro décadas, concluiu que “pessoas trans” têm 7,7 vezes mais tentativas de suicídio e 3,5 vezes mais mortes por suicídio em comparação com a população geral. Nos Estados Unidos, dados do Williams Institute da UCLA indicam que mais de 40% dos adultos trans já tentaram o suicídio ao longo da vida, uma taxa nove vezes superior à média populacional. Estes números não diminuem magicamente após a transição; pelo contrário, algumas pesquisas sugerem que os riscos podem persistir ou até aumentar.

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association em 2023, baseado em dados dinamarqueses, reforça esta preocupação: mesmo em contextos com acesso amplo a intervenções de transição, as taxas de suicídio permanecem elevadas. Outro trabalho, de 2024, no Cureus Journal of Medical Science, analisou mais de 15 mil indivíduos e descobriu que aqueles que passaram por cirurgias de “afirmação de género” tinham um risco 12 vezes maior de tentativas de suicídio nos cinco anos seguintes, em comparação com quem não passou por esses procedimentos.

Estes dados contrastam com a narrativa optimista do artigo do Público, que se foca no «alívio» sem mencionar que, para muitos, a transição não resolve problemas subjacentes como depressão, ansiedade ou traumas não relacionados com o sexo do indivíduo. Em vez disso, pode exacerbar vulnerabilidades, especialmente em jovens cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento e que podem confundir disforia de género com outras questões, como autismo ou orientação sexual.

Além disso, o artigo ignora olimpicamente o fenómeno crescente da destransição — quando indivíduos revertem a transição após perceberem que esta não resolveu os seus problemas. Embora alguns estudos, como uma revisão sistemática de 2021 no Plastic and Reconstructive Surgery – Global Open, indiquem taxas de arrependimento baixas (cerca de 1% para cirurgias), as críticas metodológicas apontam falhas: muitos estudos sofrem de altas taxas de perda de seguimento (até 50% dos participantes desaparecem das amostras), o que pode subestimar o arrependimento real.

Relatos emergentes de destransicionadores, como os compilados pela Society for Evidence-Based Gender Medicine (SEGM), revelam motivos como complicações cirúrgicas, dor crónica, infertilidade irreversível e a percepção de que a transição foi influenciada por pressões sociais ou diagnósticos erróneos. No Reino Unido, o caso de Keira Bell que processou a clínica Tavistock por aprovar tratamentos hormonais aos 16 anos e depois se arrependeu, levou ao encerramento da instituição em 2022, destacando os riscos de decisões precipitadas em menores. Segundo a revista Sábado (20 de janeiro de 2024), a Clínica Tavistock é alvo de um processo movido por mil jovens adultos, a par do caso de Keira Bell (pág. 66).

Em Portugal, onde a lei permite mudanças de sexo a partir dos 16 anos com base na autodeclaração, sem requisitos rigorosos de avaliação psicológica profunda, esta abordagem «afirmativa» — que o artigo do Público implicitamente subscreve — pode estar a expor jovens a perigos desnecessários.

Estudos como o do Canadian Medical Association Journal (2022) mostram que adolescentes que se identificam como trans têm taxas de suicídio duas vezes superiores a outros grupos LGB, e que factores como a rejeição familiar ou o bullying contribuem mais do que a falta de transição. No entanto, promover a transição como panaceia sem discutir alternativas, como a terapia exploratória, é um desserviço. Especialistas como o psiquiatra Stephen Levine argumentam que muitos casos de disforia de género em jovens se resolvem naturalmente (até 80-90% segundo estudos longitudinais pré-2010), e que as intervenções médicas podem medicalizar problemas normais da adolescência.

O aumento do discurso de ódio mencionado no artigo é real e condenável, mas usá-lo para justificar uma narrativa acrítica ignora que o verdadeiro ódio pode vir de dentro: o ódio ao próprio corpo fomentado por uma sociedade que vende a mudança de sexo [transição] como uma solução rápida. Precisamos de um debate honesto que inclua vozes críticas, incluindo feministas de género crítico que argumentam que a transição reforça estereótipos sexistas em vez de os desconstruir. Mulheres biológicas, por exemplo, vêem os seus espaços (como prisões ou desportos) invadidos por indivíduos transmasculinos, o que levanta questões éticas ignoradas na peça.

Em suma, enquanto o artigo do Público celebra as 3300 transições como um triunfo da inclusão, falha ao não alertar para os custos humanos: suicídios elevados, arrependimentos silenciados e vidas alteradas irreversivelmente. Um jornalismo responsável exige equilíbrio, não propaganda. É tempo de priorizar as evidências em detrimento da ideologia, especialmente quando vidas — muitas delas de jovens — estão em jogo.

CLÍNICA TRANS COM FUNDOS PÚBLICOS E PARCERIAS QUESTIONÁVEIS

Março 13, 2026

Maria Helena Costa

SARA MALCATO, PSICÓLOGA DA ILGA E DO PROGRAMA 'CASADOS À PRIMEIRA VISTA', IMPULSIONA CLÍNICA TRANS COM FUNDOS PÚBLICOS E PARCERIAS QUESTIONÁVEIS 

Com um ar simpático, competente e popularizada no pequeno ecrã desde que se tornou a psicóloga residente do 'reality show' Casados à Primeira Vista na SIC, Sara Malcato atua em múltiplas frentes, posicionando-se como uma das principais activistas trans em Portugal. Licenciada em Serviço Social pela Universidade Católica Portuguesa e com mestrado em Psicologia Clínica, especialização em Psicologia Clínica e da Saúde, ela coordena o Serviço de Apoio Psicológico da ILGA Portugal (SAP-ILGA), onde promove abordagens "afirmativas" que priorizam a identidade de género autodeclarada sobre evidências biológicas e psicológicas profundas.

 Como "formadora" e coordenadora de serviços na associação ILGA – que recebe subvenções públicas significativas do Estado português, incluindo fundos da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) e da União Europeia –, Malcato e a sua equipa de psicólogos (financiados pelos contribuintes) fornecem acesso gratuito a jovens vulneráveis, muitos dos quais em fase de questionamento identitário ou sofrendo de comorbidades como autismo, depressão ou traumas não resolvidos. Esses serviços orientam esses miúdos para transições de género aceleradas, ignorando alertas internacionais sobre os riscos de intervenções precipitadas.

Através do SAP-ILGA, crianças recebem "informações" que facilitam mudanças de nome legais, prescrições hormonais cruzadas (como testosterona para meninas ou estrogénio para meninos) e encaminhamentos para médicos e cirurgiões "aliados" que aceleram o processo de "autodeterminação". Essa abordagem, rotulada como "saúde afirmativa", desconsidera a realidade biológica do sexo – um facto imutável que não pode ser alterado por cirurgias ou hormonas – e ignora evidências crescentes de que muitos jovens "trans" estão, na verdade, sob influência de contágio social via redes sociais, escolas e grupos ativistas.

Estudos indicam que entre 80% a 90% das crianças com disforia de género aceitam naturalmente o seu sexo biológico durante a puberdade, caso não sejam sujeitas a intervenção médica, mas o modelo afirmativo de Malcato e ILGA empurra para intervenções irreversíveis, como bloqueadores de puberdade que podem causar infertilidade, osteoporose e impactos cognitivos permanentes.

Recentemente, Sara Malcato elevou o seu ativismo a um novo patamar ao estabelecer uma parceria com o Instituto Português da Face, que desde 2019 se lançou no lucrativo mercado das cirurgias de redesignação sexual. Fundado em 2015 e especializado em cirurgias maxilo-faciais, o instituto agora oferece procedimentos como feminização facial (incluindo redução da maçã de Adão, frontoplastia para suavizar a testa e rinoplastia para narizes "masculinos"), mastectomias para mulheres que se identificam como homens, histerectomias, faloplastias (criação de pseudo-falos usando tecido de antebraços ou coxas, com taxas de complicações acima dos 50%) e vaginoplastias (inversão peniana para homens que se identificam como mulheres, frequentemente resultando em infecções crónicas e perda de função sexual).

 Tudo isso em nome da "identidade de género", um conceito subjectivo e fluido que ignora as diferenças sexuais binárias fundamentais para a saúde, direitos e sociedade. Simples, rápido e altamente rentável: essas cirurgias custam milhares de euros por procedimento, com o THI a promover pacotes "personalizados" que exploram a vulnerabilidade de jovens influenciados por narrativas activistas.

Mas será mesmo? Essa retórica mascara os riscos: o THI oferece desde endocrinologia para hormonas até cirurgias da voz e redesignação sexual completa, sem questionar se tais intervenções são baseadas em evidências robustas. Vários críticos, entre os quais feministas 'gender-critical' (críticas de género), argumentam que esta abordagem reforça estereótipos sexistas — como a associação da 'feminilidade' a traços faciais suaves ou vozes agudas — e medicaliza a não-conformidade de género, especialmente em raparigas que se afastam dos padrões patriarcais.

A verdade é que o modelo "afirmativo" já colhe frutos amargos internacionalmente. Nos Estados Unidos, detransicionadores – indivíduos que revertem transições e lamentam danos irreversíveis – estão a inundar os tribunais com processos milionários. Em janeiro de 2026, Fox Varian, uma jovem de 22 anos que sofreu uma dupla mastectomia aos 16 anos, ganhou US$ 2 milhões num julgamento histórico contra a sua psicóloga e cirurgião em Nova York, por falha em obter consentimento informado e ignorar riscos como infertilidade e dor crónica.

 Esse veredicto, o primeiro do seu tipo a ir a julgamento e vencer, sinaliza uma onda: há pelo menos 28 processos semelhantes em andamento nos EUA, incluindo casos de jovens que perderam seios saudáveis ou órgãos reprodutivos.

 No Canadá, Michelle Zacchigna processou oito provedores em 2023 por prescreverem testosterona, mastectomia e histerectomia sem avaliação adequada, revelando como o "afirmativo" ignora comorbidades e leva a arrependimentos profundos.

 No Reino Unido, o caso Bell v. Tavistock (2020) questionou a capacidade de menores consentirem em bloqueadores de puberdade, levando à proibição de tais tratamentos pelo NHS em 2024, após a Revisão Cass destacar evidências "fracas" para intervenções em jovens.

 Em Espanha, avanços em direitos trans enfrentam retrocessos judiciais, com debates sobre leis de autodeterminação que permitem mudanças sem diagnóstico médico, semelhantes ao que ocorre em Portugal desde 2018.

E muitos outros se seguirão: diversos estudos indicam que as taxas de arrependimento são subestimadas, atingindo os 8% em certas coortes de jovens, embora os activistas minimizem estes dados para preservar a narrativa vigente.

Enquanto isso, em Portugal, ainda surfamos a onda trans como se estivéssemos em 2022 ou 2023, com leis como a de 2018 permitindo a autodeterminação de género a partir dos 16 anos sem escrutínio médico rigoroso, e associações como a ILGA a receberem fundos públicos para promover a ideologia de género em escolas e serviços de saúde.

 Mas o debate global – sobre impactos na saúde mental (aumento de suicídio pós-transição em alguns estudos), direitos das mulheres (espaços sex-segregados ameaçados) e custos para as seguradoras que cobrem cirurgias experimentais – inevitavelmente chegará aqui.

Até quando ignoraremos as vítimas detransicionadas, priorizando activismo sobre a ciência e a proteção infantil? O modelo de Malcato e THI não é "progresso"; é uma indústria que lucra com a confusão de jovens, perpetuando um erro histórico que as cortes já começam a corrigir.

Um relato incrível de uma ex jornalista da Visão

Dezembro 19, 2024

Maria Helena Costa

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 Um relato incrível de uma ex jornalista da Visão sobre mutilação genital e disforia de género que está a acontecer em Portugal com a conivência de todos os media.
 
«Há pouco mais de um ano afastei-me da Visão para a qual trabalhei cerca de quatro anos porque não conseguiria dormir descansada se não desse voz aos pais, jovens, médicos e psicólogos que me denunciaram aquele que é o maior escândalo médico dos tempos recentes: os processos-relâmpago de transição de sexo que andam a ser realizados no SNS e nas clínicas privadas, sem um diagnóstico fiável, ético e que hipotecam para sempre o futuro de um número indeterminado de jovens.
Duas peças foram feitas, naturalmente com autorização da direção, num espaço de ano e meio, mas nunca chegariam a ser publicadas. Após o segundo cancelamento, tomei a decisão de me afastar da Visão e não mais me calar, seja de que forma for, perante a atrocidade do que anda a ser feito a jovens que, em contágio social se assumem como trans, não sendo, mas que são medicados hormonalmente como tal e, pasme-se, intervencionados cirurgicamente.
Miúdas que são mastectomizadas e os seus úteros extirpados, rapazes que se tornam eunucos, sem que se perceba se sofrem de real disforia de género ou se têm traumas sexuais, doenças psiquiátricas ou outras que tais, bastando simplesmente a tal da autodeterminação de género... Histórias dantescas de esterilização de jovens (e que seguem uma tendência que é global) que toda a comunicação social sabe, mas cala. Uma náusea, portanto.
Por isso seja aqui no linkedin (que eu ativei quando saí da Visão), seja na concorrência (onde ainda se respira respeito pela ética jornalística), seja a uma escala mais pequena mas interventiva, como é o caso de plataformas como a do SALL, no texto em anexo, eu vou continuar a escrever e a denunciar o que se passa. Portugal tem de seguir o mesmo caminho da Suécia, Noruega, França, Reino Unido e tantos outros países que estão a colocar travão a fundo à medicina de género ideológica.»
 
- Marisa Antunes, Jornalista

O Transgenerismo protege o pior tipo de homem

Dezembro 14, 2024

Maria Helena Costa

O Trangenerismo protege o pior tipo de homem.
Ele era activo na comunidade LGBT local antes da sua prisão e fez campanha on-line para arrecadar dinheiro alegando sofrer de disforia de género: «Olá, o meu nome é Chloee, e tenho disforia de género. Nasci homem, mas desejo ser mulher. O meu objectivo é fazer a transição para uma mulher completamente, e esses fundos iriam para que eu fosse para Londres e pagasse as consultas.»
Ele já era um criminoso sexual com registo criminal depois de ser apanhado na posse de pornografia infantil da Categoria A, que é definida como retratando «actividade sexual penetrativa, actividade sexual com um animal ou sadismo» - mas tinha sido ilibado.
Em Agosto, foi preso por criar pornografia infantil e por contactar uma menina de 9 anos como o propósito de abusar dela sexualmente.
 

Fugas de informação revelam cirurgias de mudança de sexo sem controle

Julho 03, 2024

Maria Helena Costa

É já apelidado do maior escândalo médico do século, está a ser exposto um pouco por todo o mundo, tem repercussões também em Portugal mas por cá, a comunicação social e a comunidade médica remeteram-se ao silêncio … Falamos da denúncia que recaiu sobre a WPATH (World Professional Association for Transgender Health), associação que tem sido uma base de referência nas questões de saúde transgénero em muitos países (Portugal incluído), e que veio demonstrar a falta de evidências médico-científicas no tratamento de pessoas trans.

A notícia surgiu de forma bombástica no início do mês passado –  um extenso relatório de 242 páginas da autoria da jornalista Mia Hugues e publicado pelo Environmental Progress (EP), fundado pelo jornalista Michael Shellenberger, veio comprovar muitas das suspeitas e críticas que se apontavam à WPATH, cuja abordagem afirmativa das pessoas com disforia de género através das terapias hormonais e cirúrgicas  levantava muitas dúvidas, que se adensaram à medida que se acumulam os casos de jovens arrependidos que foram sujeitos a tratamentos e intervenções com consequências irreversíveis. Uma abordagem afirmativa que acompanha o disparar de casos de pessoas trans, um pouco por todo o mundo. Recorde-se que também em Portugal, por semana, há uma média de 10 pessoas (dos quais um menor) a mudar de nome e género no Cartão de Cidadão (dados do Ministério da Justiça) e mais de uma cirurgia de sexo a ser realizada semanalmente nos hospitais públicos.

Denúncias

Escreve o The Guardian: “A transição médica das crianças tornou-se uma das questões mais controversas e polarizadoras do nosso tempo. Para alguns, é um escândalo médico. Para outros, é um tratamento que salva vidas. Assim, quando centenas de mensagens e ficheiros trocados num fórum interno de médicos e profissionais de saúde mental WPATH foram revelados, isso certamente despertou interesse. A WPATH descreve-se como uma ‘organização profissional e educacional interdisciplinar dedicada à saúde transgénero’. Mais significativamente, produz guias de orientação que, afirma, articulam o ‘consenso profissional’ sobre a melhor forma de ajudar as pessoas com disforia de género”.  Mas apesar do seu título pomposo, afirma o The Guardian, “a WPATH não é apenas um organismo profissional – uma proporção significativa dos seus membros são ativistas – nem representa a visão ‘mundial’ sobre como cuidar deste grupo de pessoas” até porque, sublinha-se, “não existe um acordo global sobre as melhores práticas”.

E as mensagens agora reveladas – apelidadas de arquivos WPATH – são “perturbadoras”, afirma o reputado jornal britânico. E dá exemplos: “Num dos vídeos, há médicos a reconhecer que os pacientes são por vezes demasiado jovens para compreenderem completamente as consequências dos bloqueadores de puberdade e das hormonas para a sua fertilidade. É sempre uma boa teoria falar sobre preservação da fertilidade com uma jovem de 14 anos, mas sei que estou a falar para uma parede em branco”, disse um endocrinologista do Canadá, entre risos da plateia presente no fórum. O médico refere-se à recomendação que é dada às raparigas que transacionam para rapazes, sujeitas a histerectomias (operação cirúrgica que consiste na remoção do útero) para congelarem óvulos em clínicas de fertilização – um negócio também em ampla expansão – caso um dia queiram assegurar a sua descendência.

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Em crianças, pensavam que eram trans. Agora já não pensam - 'Queres um filho morto ou uma filha viva?'

Fevereiro 20, 2024

Maria Helena Costa

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Depois de o filho de 15 anos de Kathleen, que ela descreve como uma criança obsessiva, ter dito abruptamente aos pais que era trans, o médico que ia avaliar se ele tinha TDAH [NT: Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade] encaminhou-o para um especialista em TDAH e género. Kathleen, que pediu para ser identificada apenas pelo primeiro nome para proteger a privacidade do filho, partiu do princípio que o especialista iria fazer algum tipo de avaliação ou apreciação. Não foi esse o caso.

A reunião foi breve e começou com uma nota chocante. "À frente do meu filho, a terapeuta perguntou: 'Queres um filho morto ou uma filha viva? contou Kathleen.

Os pais são habitualmente avisados de que seguir qualquer caminho que não seja o de concordar com a identidade de género auto-declarada do filho é colocar um jovem com disforia de género em risco de suicídio, o que para muitas pessoas parece uma chantagem emocional.

Os defensores do modelo de afirmação de género citaram estudos que mostram uma associação entre esse padrão de cuidados e um menor risco de suicídio. Mas esses estudos revelaram ter falhas metodológicas ou foram considerados não inteiramente conclusivos. Uma pesquisa de estudos sobre os efeitos psicológicos das hormonas de sexo cruzado, publicada há três anos no The Journal of the Endocrine Society, a organização profissional de especialistas em hormonas, concluiu que "não podia tirar quaisquer conclusões sobre a morte por suicídio".

Numa carta enviada ao The Wall Street Journal no ano passado, 21 especialistas de nove países afirmaram que esse estudo era uma das razões pelas quais acreditavam que "não havia provas fiáveis que sugerissem que a transição hormonal fosse uma medida eficaz de prevenção do suicídio".

Além disso, a incidência de pensamentos e tentativas de suicídio entre jovens com disforia de género é complicada pela elevada incidência de doenças associadas, como a perturbação do espetro do autismo. Segundo uma síntese sistemática, "as crianças com disforia de género apresentam frequentemente uma série de comorbilidades psiquiátricas, com uma elevada prevalência de perturbações do humor e da ansiedade, traumatismos, perturbações alimentares e perturbações do espetro do autismo, suicídio e automutilação".

Mas em vez de serem tratadas como pacientes que merecem ajuda profissional imparcial, as crianças com disforia de género tornam-se frequentemente peões políticos.

Os legisladores conservadores estão a trabalhar para proibir o acesso aos cuidados de género para menores e, ocasionalmente, também para adultos. Por outro lado, no entanto, muitos médicos e profissionais de saúde mental sentem que estão de mãos atadas devido à pressão dos activistas e à captura de organizações. Dizem que se tornou difícil praticar cuidados de saúde mental responsáveis ou medicina para estes jovens.

Os pediatras, psicólogos e outros clínicos que discordam desta ortodoxia, acreditando que não se baseia em provas fiáveis, sentem-se frustrados pelas suas organizações profissionais. A Associação Americana de Psicologia, a Associação Americana de Psiquiatria e a Academia Americana de Pediatria apoiaram incondicionalmente o modelo de afirmação de género.

Em 2021, Aaron Kimberly, um homem trans de 50 anos e enfermeiro registado, deixou a clínica na Colúmbia Britânica onde o seu trabalho se centrava na admissão e avaliação de jovens com disforia de género. Kimberly recebeu uma triagem abrangente quando embarcou em sua própria transição bem-sucedida aos 33 anos, que resolveu a disforia de género que experimentou desde cedo.

Mas quando o modelo de afirmação do género foi introduzido na sua clínica, recebeu instruções para apoiar o início do tratamento hormonal para os pacientes que chegavam, independentemente de terem problemas mentais complexos, experiências com traumas ou de estarem "gravemente doentes", disse Kimberly. Quando encaminhou as pacientes para cuidados de saúde mental adicionais em vez de tratamento hormonal imediato, disse que foi acusado daquilo a que chamavam "gatekeeping" [NT: termo que significa a atividade de tentar controlar quem tem acesso a determinados recursos e oportunidades e quem não tem] e teve de mudar de emprego.

"Apercebi-me de que algo tinha saído completamente dos carris", contou Kimberly, que posteriormente fundou a Gender Dysphoria Alliance e a L.G.B.T. Courage Coalition para defender melhores cuidados de saúde para o género.

Os homens e as mulheres homossexuais disseram-me muitas vezes que receiam que as crianças atraídas pelo mesmo sexo, em especial os rapazes efeminados e as raparigas que são Marias-rapazes, que não se conformam com o género, sofram uma transição durante uma fase normal da infância e antes da maturação sexual - e que a ideologia de género possa mascarar e até favorecer a homofobia.

Como disse um homem que passou pela transição, agora numa relação homossexual: “Eu era um homem homossexual que foi obrigado a parecer uma mulher e namorei uma lésbica que foi obrigada a parecer um homem. Se isso não é terapia de conversão, não sei o que é”.

"Fiz a transição porque não queria ser gay", disse-me Kasey Emerick, uma mulher de 23 anos e detransicionada da Pensilvânia. Criada numa igreja cristã conservadora, disse: "Acreditava que a homossexualidade era um pecado".

Quando tinha 15 anos, Emerick confessou a sua homossexualidade à mãe. A mãe atribuiu a sua orientação sexual a um trauma - o pai de Emerick foi condenado por a ter violado e agredido repetidamente quando ela tinha entre 4 e 7 anos - mas depois de apanhar Emerick a enviar mensagens de texto a outra rapariga aos 16 anos, tirou-lhe o telemóvel. Quando Emerick se descontrolou, a mãe internou-a num hospital psiquiátrico. Enquanto lá estava, Emerick disse a si própria: "Se eu fosse um rapaz, nada disto teria acontecido."

Em maio de 2017, Emerick começou a pesquisar "género" na Internet e encontrou sites de defesa dos direitos transexuais. Depois de perceber que podia "escolher o outro lado", disse à mãe: "Estou farta de ser chamada sapatona e de não ser uma rapariga a sério". Se ela fosse um homem, seria livre de ter relações com mulheres.

Em setembro desse ano, ela e a mãe encontraram-se com um conselheiro com carteira profissional para a primeira de duas consultas de 90 minutos. Ela disse ao conselheiro que tinha desejado ser um escuteiro em vez de uma escuteira. Disse que não gostava de ser homossexual ou lésbica. Também disse ao conselheiro que sofria de ansiedade, depressão e ideação suicida. O conselheiro recomendou testosterona, que foi prescrita por uma clínica de saúde L.G.B.T.Q. próxima. Pouco tempo depois, foi-lhe também diagnosticado TDAH. Desenvolveu ataques de pânico. Aos 17 anos, foi autorizada a fazer uma mastectomia dupla.

Pensava: "Oh meu Deus, vão tirar-me os seios. Tenho 17 anos. Sou demasiado nova para isto'", recorda. Mas ela foi em frente com a operação.

"A transição pareceu-me uma forma de controlar algo quando não conseguia controlar nada na minha vida", explicou Emerick. Mas depois de viver como um homem trans por cinco anos, Emerick percebeu que seus sintomas de saúde mental estavam a piorar. No outono de 2022, ela assumiu-se como uma detransicionada no Twitter e foi imediatamente atacada. Influenciadores transgénero disseram-lhe que ela era careca e feia. Recebeu várias ameaças.

"Pensei que a minha vida tinha acabado", disse ela. "Apercebi-me de que tinha vivido uma mentira durante mais de cinco anos."

Hoje, a voz de Emerick, permanentemente alterada pela testosterona, é a de um homem. Quando diz às pessoas que é uma detransicionada, perguntam-lhe quando tenciona deixar de tomar T e viver como uma mulher. "Já não tomo há um ano", responde.

Uma vez, depois de ter contado a sua história a um terapeuta, este tentou tranquilizá-la. Se lhe serve de consolo, o terapeuta comentou: "Nunca teria adivinhado que já foi uma mulher trans" [NT: uma “mulher trans” é um homem que se identifica como mulher e que pode ou não ter passado por um processo médico, hormonal e estético para ter a aparência de uma mulher]. Emerick respondeu: "Espere, que sexo acha que eu sou?"

Ao ditado dos activistas trans de que as crianças conhecem melhor o seu género, é importante acrescentar algo que todos os pais sabem por experiência própria: As crianças mudam de ideias a toda a hora. Uma mãe contou-me que, depois do seu filho adolescente ter desistido - desistido de uma identidade trans antes de qualquer procedimento médico irreversível - ele explicou: "Estava apenas a revoltar-me. Vejo isso como uma subcultura, como ser gótico".

"O trabalho das crianças e dos adolescentes é experimentar e explorar onde se encaixam no mundo, e uma grande parte dessa exploração, especialmente durante a adolescência, é em torno do seu sentido de identidade", disse-me Sasha Ayad, uma terapeuta com carteira profissional baseada em Phoenix. "As crianças nessa idade apresentam muitas vezes uma grande dose de certeza e urgência em relação a quem pensam que são nesse momento e às coisas que gostariam de fazer para concretizar esse sentido de identidade."

Ayad, coautora de "When Kids Say They're Trans: A Guide for Thoughtful Parents" [NT: Quando as crianças pensam que são trans: um guia para pais ponderados], aconselha os pais a desconfiarem do modelo de afirmação de género. “Sempre soubemos que os adolescentes são particularmente maleáveis em relação aos seus pares e ao seu contexto social e que a exploração é muitas vezes uma tentativa de navegar pelas dificuldades dessa fase, como a puberdade, a aceitação das responsabilidades e complicações da jovem idade adulta, o romance e a solidificação da sua orientação sexual”, diz-me. Por ter este tipo de abordagem exploratória na sua própria prática com jovens com disforia de género, Ayad viu a sua licença ser contestada duas vezes, ambas por adultos que não eram seus pacientes. Em ambas as ocasiões, as acusações foram retiradas.

Os estudos mostram que cerca de oito em cada 10 casos de disforia de género na infância se resolvem na puberdade e que 30% das pessoas que fazem terapia hormonal interrompem a sua utilização no prazo de quatro anos, embora os efeitos, incluindo a infertilidade, sejam frequentemente irreversíveis.

Os defensores da transição social precoce e das intervenções médicas para os jovens com disforia de género citam um estudo de 2022 que mostra que 98% das crianças que tomaram bloqueadores da puberdade e hormonas sexuais cruzadas continuaram o tratamento por períodos curtos, e outro estudo que acompanhou 317 crianças que fizeram a transição social entre os 3 e os 12 anos de idade, que concluiu que 94% delas ainda se identificavam como transgénero cinco anos mais tarde. Mas estas intervenções precoces podem cimentar o auto-conceito das crianças sem lhes dar tempo para pensar ou amadurecer sexualmente.

Fonte
Continua: 'O processo de transição não me fez sentir melhor'

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