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Identidade de Género - Ideologia ou ciência?

Todos os alunos e professores estão a levar com políticas ideológicas de género que anulam proteções baseadas no sexo ao dar prioridade aos sentimentos em vez da biologia.

Identidade de Género - Ideologia ou ciência?

Todos os alunos e professores estão a levar com políticas ideológicas de género que anulam proteções baseadas no sexo ao dar prioridade aos sentimentos em vez da biologia.

Um bando de pervertidos

Julho 04, 2025

Maria Helena Costa

La oss slutte å seksualisere pride – Ytring

A verdade conservadora central é a de que é a cultura, e não a política, que determina o sucesso de uma sociedade.[1]

De há uns anos esta parte, as sucessivas maiorias eleitas têm vindo a legislar no sentido de nos afastar dos trilhos morais e emocionais. Contenção, pudor, responsabilidade e reverência têm vindo a ser atirados para caixote do lixo ano após ano, legislatura após legislatura.

A escola estatal, que muitos teimam em chamar “pública”, abandonou as orações, o civismo e a moral sexual em favor da instrução de como colocar o preservativo, dos ataques à nossa História e das celebrações do orgulho lgbtqiapn+. Hoje, o “deixa a vida me levar” deu lugar ao “faça o que quiser” e “ultrapasse todos os limites”. Os valores morais tradicionais, que sempre foram considerados fundamentais para a nossa sobrevivência, foram substituídos pelo relativismo que dá prazer, porque o sexo inconsequente é mais fácil e o autocontrole requer auto-sacrifício.

Quando revejo as imagens daquele espectáculo degradante, pornográfico, lgbtqiapn+ , que decorreu na Fundação de Serralves e que foi classificado para maiores de 6 anos, percebo que a pornografia se tornou um facto social que está a educar sexualmente uma geração de crianças, adolescentes e jovens, e a estabelecer as suas expectativas quanto ao sexo e ao casamento.

Um exemplo perfeito do conluio político, mediático e académico, sobre o assunto, é a consagração dos dias lgbtqiapn+ no calendário e a atribuição de um mês inteiro – Junho – à celebração do orgulho gay+. Assim, em Portugal, Junho deixou de ser o mês dos Santos Populares e passou a ser o mês do Orgulho lgbtqiapn+. Em vez de marchas populares, manjericos, balões de ar e alhos porros, deparamo-nos com bandeiras lgbtqiapn+ nas escolas, na televisão, nos outdoors, nos autocarros, nos McDonalds, nos postos de abastecimento, nos sacos de compras, nas passadeiras para peões, resumindo: em tudo o que os nossos olhos vêem. Durante um mês inteiro (fora os outros dias do calendário) o dinheiro dos nossos impostos, que financia o activismo do arco-íris, é usado para nos esfregar na cara as inclinações sexuais dos súbditos da bandeira “omnipresente” e para atrair os mais novinhos para o mundo colorido dos unicórnios, das bolachas de gengibre e das cores de um arco-íris do sexo, em que cada cor corresponde a uma prática sexual não heterossexual.

E, por favor, não me venha com a ladainha de que todo este activismo político, porque é de política que se trata, tem como objectivo “a luta por direitos iguais”, pois há muito, muito tempo, que a Marcha do Orgulho lgbtqiapn+ deixou de ser sobre direitos iguais para gays e lésbicas e foi sequestrada por tarados sexuais que a transformaram num espectáculo grotesco de exibições pornográficas ao ar livre. Os slogans que gritam são obscenos e agressivos, brinquedos sexuais e cartazes com frases ameaçadoras - contra todos os que não se ajoelham à ideologia de género - são exibidos, há homens a desfilar com trajes de bondage, com as nádegas nuas e os genitais à mostra (tal e qual como se viu em Serralves no tal espectáculo lgbtqiapn+ para maiores de 6 anos), e há quem afirme que no meio de multidão há traficantes de droga a vender metanfetaminas e a droga do estupro GHB que é usada em orgias conhecidas como "festas de chemsex".

Julie Bindel, autora, jornalista e radialista feminista, que explora a questão da misoginia, escreveu:

«Tenho medo pelos adolescentes vulneráveis ​​que, questionando ou explorando a sua sexualidade pela primeira vez, vão a uma Marcha do Orgulho Gay na esperança de conhecer jovens com a mesma mentalidade. As marchas agora são campos de caça para homens predadores, que podem chamar "homofobia" a qualquer tentativa de controlar o seu comportamento. Se eu pudesse proibir a Marcha do Orgulho, eu fá-lo-ia para proteger os jovens — especialmente as mulheres, mas também os adolescentes que correm grande risco de serem abusados ​​sexualmente e explorados por homens muito mais velhos. Mulheres como eu estão cansadas de ser colocadas no mesmo nível de pessoas que se identificam como trans, de kinksters, de pessoas que se autodenominam simplesmente "assexuais", "não binárias", "sapiossexuais" ou "arromânticas" — pessoas que nunca enfrentarão opressão ou discriminação por causa da sua sexualidade. O movimento do Orgulho é redundante. Felizmente, não estou sozinha e, este ano, pela primeira vez, parece que a agitação se tornou tão desagradável que muitos antigos torcedores, incluindo patrocinadores, estão a distanciar-se dela.
Em Plymouth, o site do Pride anuncia que os seus eventos foram cancelados: "A falta de financiamento nacional e local, juntamente com o declínio do apoio voluntário, tornou impossível a realização."
Lincoln, Southampton e Hereford enfrentam problemas semelhantes. Empresas que antes ansiavam por se associar à Marcha do Orgulho agora estão igualmente ansiosas para se dissociar.
Talvez o mais significativo seja que, em Whitehall, os funcionários públicos tenham sido instruídos a não desperdiçar dinheiro público em cordões de arco-íris.»

Julie, acredita que os que antes patrocinavam a Marcha do Orgulho lgbtqiapn+ deixaram de o fazer «em parte, por causa da decisão unânime da Suprema Corte do Reino Unido que estabeleceu que "mulheres trans" não são mulheres de verdade».

No Reino Unido, depois de anos de ameaças, abusos e até violência contra qualquer pessoa que tentasse verbalizar o senso comum mais básico sobre as diferenças sexuais entre homens e mulheres, a Suprema Corte Britânica declarou o óbvio: mulheres trans são homens.

Reposta a verdade, as empresas e as autoridades locais já não precisam de ter medo de serem rotuladas de intolerantes, perseguidas e canceladas nem de fingir que acreditam no impossível.

Também os Estados Unidos, celeiro de todo este caldo ideológico, atingiram o movimento do Orgulho com cortes drásticos no Orçamento para a ajuda internacional, conforme ordenado pelo presidente Donald Trump. Esses cortes já custaram à Stonewall, a bandeira do Orgulho, cerca de meio milhão de libras.

Por cá, infelizmente, os políticos & CIA continuam a fazer orelhas moucas ao que se passa nos países de onde importaram a ideologia de género e a Ordem dos Psicólogos, em resposta à Nota de Repúdio à utilização do termo “pessoas que menstruam” nos documentos da Ordem dos Psicólogos Portugueses publicados no Dia Internacional da Dignidade Menstrual enviada por muitas pessoas, associações e movimentos, afirma: 

«Sendo certo que a maioria das pessoas que menstrua é menina ou mulher, a menstruação é uma função biológica não exclusiva das meninas e mulheres. A nossa opção não nega a biologia, antes é descritiva desse facto: nem todas as mulheres menstruam (por exemplo, quando usam contraceção hormonal, estão na menopausa ou têm determinada condição de Saúde) e nem todas as pessoas que menstruam são mulheres (como é o caso de pessoas transexuais, intersexo ou não binárias). Por isso, a expressão “pessoas que menstruam” tem sido adotada por diversas organizações internacionais (como a OMS, a UNICEF ou a American Psychological Association) e usada na literatura científica, já que reflete o universo de pessoas com atividade ovárica que experienciam o ciclo menstrual. Não se trata, portanto, de uma orientação ideológica, mas da descrição de uma realidade empírica. A linguagem científica deve, necessariamente, refletir essa realidade, de forma precisa.»

Ou seja, a Ordem dos Psicólogos, que escreveu uma salvaguarda na qual ameaça agir contra quem torne público o conteúdo do e-mail, chuta para canto o facto de que a expressão "Pessoas que menstruam" tem sido usada e contestada em todo o mundo pelo seu carácter ideológico, razão pela qual tem existido um maior rigor por parte da OMS, UNICEF e outros organismos internacionais em usar a expressão inclusiva que é "mulheres e pessoas que menstruam", e insiste em promover a ideologia em detrimento da ciência. Mas, esperar o quê de uma instituição que manipula informação e transmite conceitos enviesados? Que permite que os seus “ordenados” se identifiquem como “lgbtqiapn+, mas nunca como cristãos?

Nota: eu não defendo a linguagem “mulheres e pessoas que menstruam”, pois pessoas que menstruam são mulheres e qualquer cedência na linguagem é uma vitória para a ideologia e não tem nada que ver com rigor nem com inclusão.

Mas, voltemos a Julie Bindel e ao seu alerta para algo ainda mais perverso:

«… alguns dos danos mais significativos [ao movimento lgb] foram causados ​​pela invasão constante de abusadores de crianças — ou "pessoas atraídas por menores" [MAPs], como eles se renomearam. Homens que abusam de crianças, sob o disfarce da campanha pelos direitos gays, têm sido um problema desde o início. Eles foram expulsos várias vezes, mas sempre voltam rastejando. Em Março deste ano [2025], Stephen Ireland, cofundador da Pride em Surrey, de 41 anos, foi condenado por estuprar um menino de 12 anos. A agressão ocorreu num apartamento que Ireland dividia com outro homem, David Sutton, de 27 anos, voluntário da Pride. Sutton foi considerado culpado de posse de imagem extremamente pornográfica, e ambos os homens tinham fotos indecentes de crianças. […] predadores como esses tratam o Orgulho como uma oportunidade para exibir as suas próximas vítimas. Alguns deles escondem-se à margem. Outros, emocionam-se chocando pessoas decentes, tanto gays quanto heterossexuais: eles safaram-se de tanta coisa nos últimos 20 anos que se sentem capazes de continuar a insistir, em nome de "serem ultrajantes". […] A “luta por direitos” nunca será vencida por homens que se exibem com chicotes e vibradores coloridos.»

Urge proteger as crianças!

Quando denunciei o que se passou na Fundação Serralves, houve algumas pessoas (graças a Deus, poucas) a defender que o espectáculo lgbtqiapn+, com adultos a exibirem as mamas e os genitais para maiores de 6 anos e a cantarem letras absolutamente pornográficas, decorreu a partir da 1:30h da madrugada e que, portanto, não haveria crianças a assistir. Mas, o horário é o que menos importa para o caso. O que devia deixar-nos com os cabelos em pé e fazer-nos enviar uma enxurrada de e-mails para a Fundação, a repudiar a classificação etária atribuída a um espectáculo pornográfico, é o facto de haver quem promova a ideia de que adultos podem exibir os seus genitais diante de crianças pequenas e que não há mal nenhum nisso e de que as crianças podem ser levadas e expostas a espectáculos desses.

Não é por acaso que já há crianças de 11 anos dependentes de pornografia e que o número não pára de aumentar. Não é por acaso que há cada vez mais jovens ansiosos e deprimidos .

Estar deprimido é, do meu ponto de vista e do ponto de vista de vários profissionais de saúde mental, a resposta mais racional à cultura decadente que nos rodeia, a uma cultura impregnada de descrença radical, erotização/sexualização precoce e uma imersão cada vez maior nas redes sociais. Portanto, não devemos surpreender-nos com o aumento da depressão na juventude. Como C. S. Lewis escreveu: «Fazemos homens fracos e esperamos deles virtudes e iniciativa. Fazemos chacota da honra e chocamo-nos ao encontrar traidores no nosso meio. Castramos e ordenamos que os castrados sejam férteis.»

Atirámos a moral e os bons costumes para o lixo, em nome da “libertação”, e descobrimos que essa libertação condenou os mais novos a vidas sem raízes e cheias de desespero. A Bíblia diz: «Nem só de pão viverá o homem.» (Lucas 4:4), o que significa dizer que o materialismo – manifestado na forma de luxúria ou cobiça – irá matar uma sociedade, caso se torne a maior aspiração desta. É onde estamos hoje. Estamos a viver no meio de uma engenharia social que quer mergulhar a civilização na luxúria para ver se ela pode sobreviver-lhe.  

No fim, sei que apenas a fé em Jesus Cristo pode transformar uma cultura corrupta e decadente como aquela em que vivemos. Pode levar décadas ou até séculos, como aconteceu no tempo do cristianismo primitivo, mas pode ser feito. A pornografia era comum entre os povos pagãos do Antigo Testamento e na Roma Antiga. Apenas uma sociedade que respeita a indissolubilidade do casamento, a igualdade das mulheres (em dignidade e valor) e o bem de ter filhos pode ter uma relação adequada em relação ao corpo e ao sexo.

Mas, cristãos ou não, todos os que se importam com a restauração da decência à nossa cultura devem fazer o que puderem para influenciar positivamente a sociedade, formando as suas crianças nos valores em que acreditam, defendendo esses valores no espaço público e promovendo-os através dos governantes que elegeram. 

 

 

[1] Daniel Patrick Moynihan

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